sábado, 19 de janeiro de 2013

O Reino de Deus e o reino dos homens - Parte 1

Esta semana fomos "surpreendidos" com uma reportagem da revista Norte-Americana Forbes que elaborou um ranking com os pastores mais ricos do Brasil. 

A publicação norte-amaricana lembra que, enquanto o catolicismo perde adeptos no Brasil, o número de evangélicos aumenta. Há uma década atrás, nós, os evangélicos, éramos apenas 15,4% da população brasileira. Hoje somos, segundo dados recentes do IBGE, 22,2%, cerca de 24,3 milhões de pessoas.

Voltando à publicação da Forbes, de acordo com a matéria, algumas "igrejas" se transformaram em "indústrias da fé", especialmente aquelas da vertente neo-pentecostal, adeptas da "Teologia da Prosperidade".

O ranking dos pastores mais ricos do Brasil é encabeçado (e você teria alguma dúvida?) pelo Bispo Edir Macedo, dono, digo, líder, da IURD. Seu patrimônio está avaliado em US$ 950 milhões. Em segundo lugar, está o bispo Valdemiro Santiago que, para quem não sabe era sócio, ou melhor, co-líder de Edir Macedo na IURD. Mas, como viu que o "negócio" era lucrativo, resolveu abrir o próprio, a igreja Mundial do Poder de Deus. Sua fortuna? A bagatela de US$ 220 milhões. Em terceiro lugar o pastor Silas Malafaia da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Seu patrimônio está estimado em US$ 150 milhões. Em quarto, Romildo Ribeiro Soares, mais conhecido como missionário RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. Seu patrimônio? Apenas US$ 120 milhões. Por último, em quinto lugar, o casal Hernandes (Estevam e Sônia). Estes estão meio "quebrados". A imagem ficou um pouco maculada depois de alguns escândalos e acabaram perdendo alguns contribuintes de peso, dentre eles o Kaká.

Pelo que soube, o único que se manifestou sobre a reportagem foi o Silas Malafaia que, felizmente, não se encontra mais vinculado à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil - CGADB. Sua igreja, embora leve o nome de Assembleia de Deus, não está vinculada a nenhuma convenção da centenária Assembleia de Deus da qual tenho a honra de ser membro e Ministro.

Segundo o pastor Silas Malafaia, tudo não passa de uma "safadeza" da revista. Para ele, trata-se de "um jogo muito bem organizado para denegrir pastores evangélicos a fim de que a sociedade tenha uma ideia de que pastor é um malandro usurpando dinheiro de imbecis e idiotas a fim de se locupletar". Silas enfatizou, ainda, que o cálculo feito pela revista está errado e que ele não é dono da igreja da qual é pastor e nem da Associação Vitória em Cristo. Afirmou, ainda, que a matéria pode ter um fundo político, haja vista que ele apoiou muitos candidatos nas últimas eleições.

O pastor Silas Malafaia está de parabéns em vir a público para tentar dar uma explicação, mas, vamos falar a verdade, sua justificativa é difícil de engolir. Afirmar que o objetivo da revista é denegrir a imagem de todos os pastores evangélicos, sinceramente, não cola. Esta reportagem, tenho certeza, em nada mudará a imagem que a população possui, por exemplo, do meu pastor, um homem que, há mais de cinquenta anos tem dedicado sua vida à pregação do Evangelho, sem se enriquecer ilictamente. Assim como ele, o Brasil está cheio de homens de Deus que, abnegadamente, estão anunciando a Palavra de Deus, sem o intuito de se enriquecerem à custa das ovelhas e não é a reportagem de uma revista que vai denegrir a imagem destes homens. Parece que o senhor Silas Malafaia, tão conhecedor da Bíblia, esqueceu-se do texto do Evangelho de Mateus 12.33 "porque é pelo fruto que se conhece a árvore".

Obviamente, não estou afirmando que o obreiro não tenha direito de ter o seu sustento garantido pela igreja que ele se dedica a pastorear. No entanto, não vejo na Bíblia nenhum ensinamento no sentido de que aqueles que vivem do Evangelho devam acumular fortunas como as que foram mencionadas acima. 

O que me deixa mais triste é saber que cristãos deixam de contribuir financeiramente em suas congregações, onde tem um pastor vinte e quatro horas à sua disposição e que necessita de sua ajuda financeira, para enviar "ofertas" para estes homens comprarem seus jatinhos, fazendas, carrões de luxo, etc. Este reino não é o Reino de Deus, é o reino dos homens. Que Deus nos guarde.

sábado, 24 de abril de 2010

FRASEANDO

Por Pr. Ariovaldo Ramos

Deus é tão bom, que, a cada dia, me exercito em perceber os seus milagres, em tudo e em todos.

Na ressurreição do Cristo comemoramos o dia em que a humanidade venceu. A partir do que, tudo é, apenas, uma questão de tempo!

Deus se realiza em nos fazer gente feliz!

Ser cristão é subir uma escada rolante: não é você que sobe a escada, é a escada que sobe você.

A divisa da Igreja: cada cristão como o Cristo; cada comunidade local como a Trindade; cada pessoa tendo a oportunidade de entrar no Reino; a sociedade humana como o Reino; e o planeta como o Jardim.

O segredo do cristão não é nunca pecar, mas sempre se arrepender.

Santidade é dedicação exclusiva à Trindade.

A vitória do cristao, não é não passar pelo sofrimento, é não ser derrotado por ele.

Sofrer é um verbo que o cristao não precisa conjugar.

Dar, a Deus, graças, em tudo, é colocar a vida nos braços do Pai.

De arrependimento em arrependimento somos, pelo Espírito, transformados à imagem do Cristo: a glória de Deus!

Somos filhos do Deus que sempre quis ser o nosso Pai.

Estar em Cristo, desde antes da fundacao do mundo, é ter certeza de que a sua existencia não foi um acidente... Alguém queria você.

A cada vez que, em nossa forma de viver, atendemos ao Cristo, a exemplo dos garcons do casamento em Caná, nos tornamos agentes de milagres.

Nem sempre entendemos o que o Cristo nos pede, mas sabemos que redundará em algum milagre para o bem de muitos.

Ter ao Cristo, como o principal convidado em nossa vida, é saber que tudo pode recomecar, não importa o que aconteca.

Todos estamos sob a lei da impossibilidade, quando tudo, o que possa ser feito, escapa ao nosso controle. Só o milagre vence essa lei. O cristao vive na esperanca do milagre... Sempre.

Vida cristã é andar sobre as águas, logo, só pode ser vivida no poder do Espírito.
Renovar o entendimento é saber que o que se sabia sobre ser sustentado pelas aguas mudou, desde que Cristo andou sobre elas.

A glória de Deus é ter misericórdia de quem quiser, logo, a glória de Deus passa por nós.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bijuterias e pastéis de vento

Conforme consta na relação ao lado, estou lendo o livro "O Evangelho Maltrapilho" de Brennan Manning. Dizem que Manning é um teólogo liberal. Não vejo assim.Para falar a verdade, nunca vi alguém escrever e descrever tão bem a Graça quanto ele.

O título desta postagem reproduz o título do caítulo sete do livro, do qual destaco o seguinte:

"Os impostores do Espírito sempre preferem as aparências à realidade. A racionalização começa com uma olhada no espelho. Não gostamos da visão do que realmente somos, por isso recorremos a cosméticos a maquiagens, Pa luz correta e aps acessórios adequados que gerem uma imagem aceitável de nós mesmos. Valemo-nos de um elegante disfarce para projetar uma imagem positiva de nós mesmos - ou pelo menos uma imagem diferente daquilo que realmente somos. O auto-engano financia nossa pecaminosidade e nos impede de nos enxergarmos como realmente somos:maltrapilhos."

O homem sem Cristo não passa mesmo de um maltrapilho.

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)". Ef 2.4,5.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SOBRE VERDADES E MENTIRAS

Ed René Kivitz

Cansei de varrer angústias para debaixo dos chavões. Não me importo de ser taxado de herege e que alguns divulguem que estou me desviando da fé evangélica. Não me incomoda mais o julgamento impiedoso e implacável dos que sobrevivem de certezas. Não estou mais disposto a repetir velhas fórmulas que não me fazem sentido nem oferecem abrigo para as almas amarrotadas pela dor. Não suporto mais a solidariedade das palavras vazias dos clichês religiosos e da teologia mais ocupada em defender a Deus do que em amar o próximo.

Não temo o caminho. A noite escura do silêncio e das dúvidas da alma não me apavora mais do que a infertilidade dos dogmas do dia claro. Tenho certeza de que minha trilha é percurso de vida. E tenho boas razões para crer assim.

Ando sobre as pegadas dos questionadores, dos inquietos, dos rebeldes, dos que não encontram descanso, sem qualquer temor de me perder no labirinto da complexidade da razão e dos descaminhos do coração, que “têm razões que a própria razão desconhece”.

O que não quero é ser contado entre os cínicos. Não me admito mais seguindo na fila indiana dos covardes. Jamais aceitarei a possibilidade da hipocrisia. Prefiro a verdade, a minha verdade, ainda que minha verdade seja mentira, pois mais vale apostar no que é verdade para a consciência, ainda que seja mentira, do que numa verdade estranha à consciência. A consciência vale mais que a verdade, pois somente na verdade relativa da consciência a verdade verdadeira poderá se impor sobre a mentira.

Caminho sem qualquer receio entre as verdades e mentiras das consciências humanas – a minha e a de todos os caminhantes. A Verdade em que creio não é uma idéia, é uma pessoa. Não tomo como definitivas as verdades das consciências, já que descanso na Verdade que é uma pessoa.

Minhas vísceras clamam pelo encontro com a pessoa que é a Verdade, e justamente por esta razão não posso conviver com quaisquer verdades que sejam estranhas à minha consciência. Relacionamentos não se baseiam em verdades, mas em integridade, autenticidade, transparência, sinceridade, mútua confiança. Prefiro estar errado sendo íntegro do que certo sendo falso. Você deve suspeitar que eu esteja enganado ou equivocado, mas pode acreditar que estou sendo honesto. Não me importo em descobrir que minha verdade é uma mentira. Mas jamais me relacionaria com você baseado em algo que para mim seja mentira somente porque para você é verdade.

Caso se importe, fique tranqüilo comigo. Creio na graça de Deus, que me interpela e me encontra. Creio no Espírito Santo de Deus, que me conduz a toda a verdade. Creio em Jesus, caminho, verdade e vida. Creio que sou amado pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo com amor maior do que eu tenho por mim mesmo. Creio que o Deus Triuno me levará à luz da verdade verdadeira, desmascarando minhas mentiras. E creio que o caminho mais curto para a verdade verdadeira é a admissão de minhas verdades relativas. Antes de me levar à verdade verdadeira, certamente Deus me levará às minhas verdades relativas, quer para que sejam desmascaradas e se revelem mentira, quer para me revelar que não eram tão mentirosas assim.

Romanos 12.2
2Coríntios 13.8
Hebreus 4.12

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

DE OLHO NO STF

por Valmir.Nascimento

O ano de 2008 foi histórico para a Suprema Corte brasileira (STF). Isso porque, como bem lembrou o ministro Gilmar Mendes em seu discurso de abertura do Ano Judiciário de 2009, o ano que passou ficou marcado por decisões que provocaram grande repercussão no cenário socieconômico e político do país, e também da comunidade internacional, como a controvérsia acerca da realização de pesquisas científicas com células embrionárias humanas e do início do debate sobre a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Além, ainda, daqueles relativos à fidelidade partidária, à proibição do nepotismo no âmbito de toda a administração pública nacional, à edição de medidas provisórias sobre créditos extraordinários, à constitucionalidade da especialização das varas, ao piso salarial de professores, à limitação do uso de algemas.

Ao meu ver, algumas das decisões foram acertadas, outras nem tanto. Mas, independente de minhas impressões e percepções a despeito dos julgamentos pretéritos por parte dos ministros, a verdade é que o STF cada dia mais vem sendo palco de debates importantíssimos para a sociedade. Seus julgamentos ganham relevância na medida em que definem questões fundamentais que afetam a vida de todo cidadão.

Teoricamente, o STF sempre foi dotado de tal relevância, posto ser o representante máximo do Poder Judiciário e o guardião maior da Constituição Federal. Entretanto, em razão da possibilidade jurídica (absurda) de recursos dentro do ordenamento jurídicos pátrio, acontecia que a Suprema Corte acabava abarrotada de processos para decisão de questões secundárias, afastado-a, portanto, do seu propósito central.

Ocorre que, partir da Emenda Constitucional n.º 45, denominada de “Reforma do Judiciário”, que entre outras inovações criou instrumentos para a efetividade e a celeridade do processo, com os estabelecimento de filtros recursais, o STF começou a receber menos demanda, tanto é que no ano passado constatou-se a redução de 41% no total de processo distribuídos.

Como disse o Ministro Gilmar Mendes, “de tudo resulta que o desate do nó górdio que aprisionava a Corte na esdrúxula tarefa de apreciar recursos inviáveis ou improcedentes importou não só maior qualidade nas decisões proferidas, como também mais dinamismo e aproximação da sociedade, com evidente ganho nas relações de cidadania e do fortalecimento do Estado Democrático de Direito”.

Outro fator que vem abrindo espaço para a atuação ampla do Judiciário no Brasil é exatamente a ineficiência do Legislativo, que por não legislar sobre temas fundamentais acaba jogando para o STF a responsabilidade de “legislar atipicamente”, ou seja, decidir sobre assuntos que deveriam ser matéria de leis específicas, como aconteceu com a infidelidade partidária e o nepotismo no poder público.

Nesse contexto, então, o STF continua seu caminho, que vai com o tempo se alargando ainda mais, inclusive com decisões inovadoras. Para se ter uma idéia, já no ano corrente os ministros decidiram pelo direito de liberdade do réu até que o caso tramite em julgado, decisão essa que provocou efeito cascata em todas as esferas do judiciário.

Alguém pode indagar sobre a razão pela qual estou a escrever sobre esse tema aqui no blog. Esse é o xis da questão.

A primeira razão é que esse blog não fala somente sobre religião, igreja, fé e espiritualidade, mas também, na medida do possível, sobre direito, política, economia, mídia, jornalismo e quiçá sobre ornitorrincos.

A segunda razão é que a atuação do Suprema Corte do Brasil tem tudo a ver com cosmovisão, importando, assim, a todo cristão. O direcionamento das questões mais relevantes no meio social deve despertar a atenção da igreja, que não pode viver de olho no seu próprio umbigo, mas sim, com os olhos voltados para fora. Aliás, igreja em grego é eklesia que quer dizer “chamado para fora”. Mesmo porque as decisões proferidas pelo STF podem afetar e muito a atuação da igreja no plano social.

Observar a atuação do STF é importante também porque o panorama ideário que domina a seara jurídica atual não é dos melhores. O desconstrucionismo é a idéia que reina. Segundo essa teoria, a linguagem não revela significado, antes é uma construção social. E se o texto não possui um significado inerente a ele próprio, cabe ao intérprete dizer o seu significado. E se cabe ao intérprete desconstruir ou dizer o seu significado, no caso da lei, então, a intenção do legislador já não tem tanta validade, de modo que o julgador é o senhor da interpretação, aplicando a lei em conformidade com o contexto.

Assim, é importante estarmos atentos aos passos do STF, afinal, assuntos como aborto, homofobia e liberdade de expressão em breve baterão às portas do pretório excelso, daí veremos como as coisas ficarão.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cinco mitos e falácias do liberalismo

Por Silas Daniel
Estive refletindo nos últimos dias sobre alguns mitos do liberalismo, seja ele secular ou teológico, que têm sido disseminados. Devido à popularidade de alguns deles, achei por bem escrever a respeito. É o que se vê a seguir.O mito de que os liberais são mais felizes do que os conservadoresA propaganda cultural nos últimos anos tem disseminado em livros, filmes, novelas e revistas a idéia de que os conservadores são infelizes enquanto os liberais são felizes. A lógica, segundo a tal propaganda, é a de que os conservadores são infelizes porque “são reprimidos”, enquanto os liberais são felizes porque “não castram seus desejos”. Nada mais falso. As figuras do conservador infeliz e do liberal feliz-da-vida são estereótipos de obra ficcional. A vida tem mostrado que o inverso é que é bem mais comum.Quem adota um comportamento liberal não encontra a felicidade, mas, no máximo, paliativos, placebos, fugazes narcóticos psicológicos. O liberalismo, a princípio, traz uma falsa sensação de liberdade à pessoa, mas, em seguida, leva-a a um ciclo de insatisfação constante, onde os vazios existenciais são preenchidos por prazeres passageiros e mais retiradas de limites, num ciclo sem fim de liberalização.Ou seja, o liberalismo é uma droga que leva a pessoa e a sociedade, inconscientemente, à autodestruição paulatina. Só quando a pessoa descobre a importância de Deus e dos valores em sua vida, consegue reverter o quadro.Quem vive segundo os princípios da Palavra de Deus já sabe disso há muito tempo. Mas parece que alguns estão começando a descobrir isso só de alguns anos para cá. Na edição de 27 de março da revista The Economist, foi publicada uma matéria com o seguinte título: Why conservatives are happier than liberals (Porque os conservadores são mais felizes do que os liberais). O texto traz os resultados de uma pesquisa feita em 2004 nos Estados Unidos. O estudo mostra que os norte-americanos que se dizem “conservadores” ou “muito conservadores” são duas vezes mais felizes do que os que se dizem “liberais” ou “muito liberais”. Mais precisamente, cerca de 50% dos “conservadores” ou “muito conservadores” se dizem “muito felizes”, enquanto apenas 25% dos “liberais” ou “muito liberais” se dizem “muito felizes”. E, segundo os pesquisadores, se acrescentados aos que se dizem “muito felizes” os que se dizem apenas “felizes”, a diferença abissal permanece entre os dois grupos.A matéria da revista inglesa ainda lembra que alguém poderia até argumentar que os liberais norte-americanos estariam se sentindo infelizes devido ao fato de estarem vivendo sob o governo conservador de George Bush, mas, assevera a matéria, tal argumentação não procede, já que pesquisas do mesmo tipo feitas nos últimos 35 anos nos Estados Unidos têm tido o mesmo resultado: os conservadores são muito mais felizes do que os liberais. Sempre. Seja qual for o contexto.E é importante que se diga: essa felicidade pesquisada pelo estudo não diz respeito à satisfação das pessoas com a situação do mundo, mas ao grau de satisfação que elas têm em relação à vida que levam, ao seu trabalho, à sua vida afetiva, à família, etc, apesar da situação do mundo.Em seu livro Gross National Happiness, citado na matéria de The Economist, o professor Arthur Brooks, especialista no assunto, acrescenta que a mesma pesquisa também tem mostrado que as pessoas casadas e que estão toda semana na igreja são muito mais felizes do que as que banalizam o casamento e desprezam a religião.Brooks ressalta ainda que os fatores religiosidade e secularismo pesam na balança. De acordo com o estudo, apenas 22% dos liberais não-religiosos se dizem “muito felizes”. E os liberais religiosos são tão felizes quanto os conservadores seculares. Os dois últimos são majoritariamente “não tão felizes”. Já os conservadores religiosos dos Estados Unidos (a esmagadora maioria de protestantes, já que 65% dos conservadores dos EUA são protestantes) são os mais felizes de todos: mais de 50% deles afirmam que são “muito felizes”. Só 5% deles se dizem “infelizes”.Isso nos faz lembrar o salmista (Sl 1).O mito de que liberalização é melhor do que restriçõesÉ comum ouvirmos, até mesmo entre cristãos, o mito, cada vez mais popular, de que quanto mais você insiste em uma restrição, pior será, porque, segundo alguns acreditam, a manutenção daquela restrição só alimentará a transgressão dela. E a liberalização, isto é, a retirada da restrição, ao contrário, diminuiria a transgressão. Isso não é verdade. A vida tem mostrado que a liberalização, além de não diminuir a transgressão (muito pelo contrário: aumenta), leva a outra retirada de limites e depois a mais outra, e assim sucessivamente.Meu amigo Valmir Nascimento, de Cuiabá, em seu blog http://www.comoviveremos.com/, já escreveu sobre o caso holandês, mas vale a pena repetir: a Holanda, um dos países mais liberais do mundo, está em crise com seu liberalismo. O país que, primeiro do que todos os outros, legalizou a eutanásia, o aborto, as drogas, o “casamento” entre homossexuais, a prostituição e o sexo ao ar livre em praças selecionadas (e já discute a liberalização da pedofilia – numa prova clara de que uma liberalização leva a outra, num ciclo interminável) reconhece que essa sua posição não melhorou o país. Ao contrário: aumentou seus problemas.Em matéria publicada na revista Veja de 5 de março, sob o título Mudanças na vitrine, o jornalista Thomaz Favaro ressalta que, desde que a prostituição e as drogas foram legalizadas na Holanda, tudo mudou em De Wallen, famoso bairro de Amsterdã, capital holandesa, onde a tolerância era aceita. “A região do De Wallen afundou num tal processo de degradação e criminalidade que o governo municipal tomou a decisão de colocar um basta. Desde o início deste ano, as licenças de alguns dos bordéis mais famosos da cidade foram revogadas. Os coffee shops já não podem vender bebidas alcoólicas nem cogumelos alucinógenos, e uma lei que tramita no Parlamento pretende proibi-los de funcionar a menos de 200 metros das escolas. Ao custo de 25 milhões de euros, o governo municipal comprou os imóveis que abrigavam dezoito prostíbulos. Os prédios foram reformados e as vitrines agora acolhem galerias de arte, ateliês de design e lojas de artigos de luxo”.A matéria destaca ainda que a legalização da prostituição na Holanda resultou “na explosão do número de bordéis e no aumento da demanda por prostitutas”. Nos primeiros três anos de legalização da prostituição, aumentou em 260% o tráfico de mulheres no país. E a legalização da maconha? Fez bem? Também não. “O objetivo da descriminalização da maconha era diminuir o consumo de drogas pesadas. Supunham os holandeses que a compra aberta tornaria desnecessário recorrer ao traficante, que em geral acaba por oferecer outras drogas. (...) O problema é que Amsterdã, com seus coffee shops, atrai ‘turistas da droga’ dispostos a consumir de tudo, não apenas maconha. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boêmio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa”, afirma a matéria de Veja.O criminologista holandês Dirk Korf, da Universidade de Amsterdã, afirma: “Hoje, a população está descontente com essas medidas liberais, pois elas criaram uma expectativa ingênua de que a legalização manteria os grupos criminosos longe dessas atividades”. Pesquisas revelam que 67% da população holandesa é, agora, a favor de medidas mais rígidas. E ainda tem gente que defende que o Brasil deve legalizar a maconha, o aborto, a prostituição, etc, citando a Holanda e outros países como exemplo de “modernidade”.Veja o caso da Suíça. Conta Favaro: “A experiência holandesa não é a única na Europa. Zurique, na Suíça, também precisou dar marcha a ré na tolerância com as drogas e a prostituição. O bairro de Langstrasse, onde as autoridades toleravam bordéis e o uso aberto de drogas, tornara-se território sob controle do crime organizado. A prefeitura coibiu o uso público de drogas, impôs regras mais rígidas à prostituição e comprou os prédios dos prostíbulos, transformando-os em imóveis residenciais para estudantes. A reforma atraiu cinemas e bares da moda para o bairro”.E a igualmente liberal Dinamarca? “Em Copenhague, as autoridades fecharam o cerco ao Christiania, o bairro ocupado por uma comunidade alternativa desde 1971. A venda de maconha era feita em feiras ao ar livre e tolerada pelos moradores e autoridades, até que, em 2003, a polícia passou a reprimir o tráfico de drogas no bairro. Em todas essas cidades, a tolerância em relação às drogas e ao crime organizado perdeu a aura de modernidade”.Dessa “modernidade”, não precisamos. Nunca.O mito de que os liberais evangélicos estão “remando contra a maré”Um dos discursos mais usados hoje pelos adeptos de posicionamentos liberais no meio evangélico para romantizar sua luta é a de que são uma espécie de “Davi” lutando contra um “Golias” (que, neste caso, seria os que defendem a ortodoxia bíblica). Tentam imprimir na mente das pessoas, para sensibilizá-las em seu favor, a idéia de que a sua luta é a de uma “minoria esmagada”, que supostamente seriam eles, contra uma “maioria sufocante”, que supostamente seriam os ortodoxos. Usam, inclusive, muitos termos como “remar contra a maré”, “ter a coragem de ser diferente”, “fugir do consenso”, etc, para definir seu mourejar, apresentando-se como vítimas e, assim, legitimando, crêem, sua luta e, dessa forma, condenando a atividade apologética ortodoxa.Ora, se existe uma coisa que os liberais não estão fazendo é remar contra a maré, ter coragem de ser diferente e fugir do consenso ideológico.Quem está realmente remando contra a maré, tendo a coragem de ser diferente e fugindo do consenso ideológico são os conservadores. Os liberais evangélicos apenas reproduzem o que a mídia secular e os pensadores populares de hoje defendem. A verdadeira minoria que estão tentando sufocar em nossos dias são os chamados ortodoxos, não os liberais.Se um liberal é a favor do aborto e a mídia é a favor do aborto, governos são a favor do aborto e a maioria dos pensadores incensados é a favor do aborto, quem está sendo minoria ideologicamente? O liberal ou o ortodoxo?Se um liberal é condescendente com o homossexualismo e a mídia é condescendente com o homossexualismo, o governo também e a maioria dos pensadores hodiernos idem, quem está sendo minoria ideologicamente? O liberal ou o ortodoxo?Se um liberal é a favor da eutanásia e a mídia é a favor da eutanásia, o governo é a favor também e a maioria dos pensadores de hoje idem, quem está sendo minoria ideológica? O liberal ou o ortodoxo?
Se um liberal é a favor do ecumenismo e a mídia aprova a idéia do ecumenismo, bem como governos e a maioria dos pensadores, quem está sendo minoria ideológica? O liberal ou o ortodoxo?Não há nenhum suposto “heroísmo” (ou idéia parecida) na luta liberal, mas conformação e submissão à mentalidade das cabeças pensantes do mundo (Rm 12.2).Nem por isso os ortodoxos vivem usando diante da sociedade o discurso de “minoria esmagada”, de vítima ideológica, usado pelos liberais, para legitimar seu posicionamento. Pelo contrário! Quem é biblicamente ortodoxo defende o que defende só por uma razão: é bíblico. E com o adendo de que a própria lógica, quando não distorcida, abona o pensamento ortodoxo.Vale a pena repetir aqui o que coloquei na última postagem: o verdadeiro cristão não é Vox populi vox Dei (“A voz do povo é a voz de Deus”), mas Sola Scriptura (“Somente as Escrituras”). Ou como disse Blaise Pascal (vale a pena relembrar): “Um dos artifícios que o demônio usa para pôr os homens no caminho do mal é dar nomes desprezíveis a certas virtudes eternas e, assim, encher as almas fracas com o tolo medo de passarem por antiquadas se as exibirem”.O mito de que os cristãos liberais são mais relevantes do que os conservadoresMais outra falácia: a maioria esmagadora dos cristãos que fizeram realmente diferença positiva na História (cristã e secular) é de ortodoxos. Vide John Wesley, William Wilberforce, Jonathan Edwards, David Linvingstone, etc. A lista é extensa.O mito de que ser liberal é um desafio muito maiorOutro discurso igualmente comum e falso. Quem acredita nisso está engolindo acrítica e tolamente um chavão do liberalismo. Quem analisa o mínimo possível as afirmações que ouve não cai numa enganação dessas.É muito mais fácil ser liberal do que ser ortodoxo; ser “cinzento” do que ser “preto no branco’; ser conveniente do que ser realmente bíblico. O liberalismo teológico é como o Dadaísmo na Arte. Não é preciso estudar técnicas artísticas para produzir “arte” dadaísta. Da mesma forma, não é preciso conhecer bem a Bíblia para ser liberal. Aliás, para ser um bom liberal, você não precisa nem gostar de Bíblia. Diferentemente do ortodoxo. Não é à toa que liberais chamam ortodoxos de “bibliólatras” e a maioria deles nem crê na autoridade da Bíblia. Nada mais sintomático.É mais fácil ser exótico do que andar certo. É mais fácil ser subversivo do que ser lúcido. É mais fácil pecar do que ser santo. É mais fácil deixar o mato crescer do que ficar cuidando do jardim. É mais fácil destruir do que construir. É mais fácil descer ladeira abaixo do que subir a montanha. É mais fácil se conformar com o pensamento de nossa época do que ir contra a correnteza, não se conformar com o mundo. É mais fácil fugir dos problemas do que enfrentá-los. É mais fácil retirar limites do que mantê-los. É mais fácil ser politicamente correto do que ser politicamente incorreto. É mais fácil dizer que não há verdade do que pregar e viver a Verdade. É mais fácil dizer que não há respostas do que encarar a Reposta.
Liberalismo é amar mais o aplauso do mundo do que a aprovação do Céu.E é preciso ser muito mais profundo para ser ortodoxo do que para ser liberal. Aprofundar-se na Verdade, perfurar a superfície, apresentar de forma criativa a Verdade absoluta, é que é o verdadeiro desafio. Relativismo é despiste. Liberalismo é escapismo. É fuga. É tergiversação. É uma forma popular e fácil de tentar soar teologicamente profundo sem ser.Que as palavras de A. W. Tozer, proferidas há mais de quatro décadas, possam ecoar em nossos corações: “Voltem para as fundas raízes. Abram o coração e sondem as Escrituras. Levem sua cruz, sigam o seu Senhor e não dêem atenção à moda religiosa que passa. As massas estão sempre erradas. Em cada geração, o número de justos é pequeno. Certifiquem-se de que estão entre eles”.

sábado, 29 de novembro de 2008

O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO

Outro dia alguém pinçou uma de minhas afirmações para afirmar que eu não acredito em milagres. A afirmação que fiz foi que Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. De fato, representa muito do meu pensamento: a principal obra de Deus no humano é a conformação do humano à imagem de seu Filho Jesus, que Paulo, apóstolo, chama de “primogênito entre muitos irmãos”. Mais do que fazer coisas boas para o ser humano, Deus está comprometido em transformar o ser humano, ainda que isso custe deixar ou permitir que coisas ruins aconteçam a este ser humano em processo de transformação. Deus não atua no ramo de “conforto para os fiéis”. Deus atua no ramo de transformação do humano à imagem de Jesus Cristo.
Daí a extrapolar que eu não acredito em milagres é um pulinho. Confundir a ênfase da minha teologia – “Deus faz em nós, e não necessariamente por nós”, com “Deus nunca faz nada por nós”, é até compreensível.
Na verdade, o que pretendo dizer é melhor compreendido quando se dá atenção ao “não necessariamente”: Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. Sublinhe o “não necessariamente”. Isso significa que Deus pode fazer e pode não fazer, e que o fazer ou deixar de fazer é imponderável, afetado por muitas variáveis que extrapolam o nosso controle e nosso entendimento. O que acredito, portanto, é que Deus sempre deseja fazer algo em nós, mesmo quando não faz algo por nós. Deus está sempre agindo para nossa transformação, mesmo quando não atua em nossas circunstâncias.
Por esta razão, minha conclusão é óbvia e simples: não devemos pautar nosso relacionamento com Deus na expectativa de que Ele faça algo por nós, mas na certeza de que Ele deseja fazer algo em nós. Quando Ele faz algo por nós, amém, quando não faz, amém também. O que não podemos permitir é que a expectativa de que Ele faça algo por nós nos deixe cegos ou imobilizados para o que Ele quer fazer em nós.
A maioria dos cristãos baseia seu relacionamento com Deus na dimensão “por nós”: o Deus de milagres, o Deus de poder. Alguns poucos baseiam seu relacionamento com Deus no “em nós”: o Deus de amor que nos constrange a viver para Ele e não para nós mesmos, onde viver para Ele implica sempre morrer para si mesmo, tomar a cruz e meter o pé na estrada. O milagre é problema (ou solução) de Deus. A fidelidade é problema meu. Atuar em minhas circunstâncias é o imponderável do mistério de Deus. Atuar em mim é o essencial do propósito de Deus. Você escolhe a base de sua relação com Deus: aquilo que pode acontecer ou não – o milagre, ou aquilo que certamente acontece – a transformação.
Texto de Ed René Kivitz (Fonte:http://outraespiritualidade.blogspot.com)