sexta-feira, 29 de julho de 2016

DISCIPLINA ESPIRITUAL





A vida cristã exige de nós disciplina espiritual. Refiro-me àquela disciplina diária, constante, perseverante e dedicada. Disciplina de oração, jejum, leitura bíblica e renúncia pessoal é uma prática indispensável àqueles que desejam viver uma vida que agrade a Deus. É claro que caminhar com Deus em disciplina não é uma tarefa fácil, no entanto, a presença do Espírito Santo em nossa vida nos capacita a procedermos desta forma. Estou certo de que, nestes últimos dias que antecedem a volta de Cristo, somente os cristãos que cultivarem uma vida de constante disciplina espiritual conseguirão manter uma comunhão plena e frutífera com Deus.
Precisamos orar mais! Não me refiro àquela oração apenas recheada de pedidos e mais pedidos (sim, Deus atende nossos pedidos segundo a sua vontade), mas a oração de busca pela presença e comunhão com Deus; aquela oração que não tenha a intenção de mudar a Deus, mas de mudar a nós mesmos. Precisamos ler mais a Bíblia Sagrada. Ela, a Bíblia, é a inerrante e irrefutável Palavra de Deus. Deus fala conosco de várias maneiras; eu creio nisso, mas Ele deixou para nós a sua palavra escrita; a revelação plena de sua vontade ao homem. Amemos este livro! Precisamos jejuar mais, a fim de mortificarmos nossa carne com seus desejos pecaminosos e, assim, abrirmos um canal para o fluir de Deus em nossas vidas. Estas são apenas algumas das disciplinas espirituais que devemos exercer constantemente. Pense nisso!
Luiz Ricardo

quinta-feira, 28 de julho de 2016

OS OLHOS DO SENHOR ESTÃO EM TODO LUGAR
Quem sou eu quando ninguém está me vendo? Quando ninguém está me vendo eu sou a mesma pessoa que se apresenta aos meus familiares, amigos e irmãos em Cristo? São perguntas que exigem de nós uma resposta verdadeira e sincera! O ser humano tem a tendência de demonstrar ser quem ele não é e, para tanto, ele acaba vivendo um personagem; assumindo um papel no teatro da vida. Diante dos olhares dos outros, ele demonstra ser um tipo de pessoa que ele, na verdade, não é. No entanto, quando está longe das pessoas que lhe são mais próximas, ele acaba revelando quem realmente ele é.
Tenho pensando na vida de José do Egito. Vendido por seus irmãos, vivendo em uma terra distante de sua casa, em meio a uma cultura pagã, longe dos olhares de seus pais e irmãos, ele não abriu mão de sua conduta santa e piedosa. Mesmo desfrutando da total confiança de seu patrão, gozando de todos os benefícios de sua função de mordomo-mor da casa de Potifar e sendo um jovem bonito e atraente, ele não cedeu às tentações e aos convites da esposa de Potifar para com ela se deitar. Que exemplo! Que atitude! Que modelo a ser seguido! Quem sou eu quando ninguém está me vendo? Pense nisso!
Luiz Ricardo

sábado, 19 de janeiro de 2013

O Reino de Deus e o reino dos homens - Parte 1

Esta semana fomos "surpreendidos" com uma reportagem da revista Norte-Americana Forbes que elaborou um ranking com os pastores mais ricos do Brasil. 

A publicação norte-amaricana lembra que, enquanto o catolicismo perde adeptos no Brasil, o número de evangélicos aumenta. Há uma década atrás, nós, os evangélicos, éramos apenas 15,4% da população brasileira. Hoje somos, segundo dados recentes do IBGE, 22,2%, cerca de 24,3 milhões de pessoas.

Voltando à publicação da Forbes, de acordo com a matéria, algumas "igrejas" se transformaram em "indústrias da fé", especialmente aquelas da vertente neo-pentecostal, adeptas da "Teologia da Prosperidade".

O ranking dos pastores mais ricos do Brasil é encabeçado (e você teria alguma dúvida?) pelo Bispo Edir Macedo, dono, digo, líder, da IURD. Seu patrimônio está avaliado em US$ 950 milhões. Em segundo lugar, está o bispo Valdemiro Santiago que, para quem não sabe era sócio, ou melhor, co-líder de Edir Macedo na IURD. Mas, como viu que o "negócio" era lucrativo, resolveu abrir o próprio, a igreja Mundial do Poder de Deus. Sua fortuna? A bagatela de US$ 220 milhões. Em terceiro lugar o pastor Silas Malafaia da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Seu patrimônio está estimado em US$ 150 milhões. Em quarto, Romildo Ribeiro Soares, mais conhecido como missionário RR Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. Seu patrimônio? Apenas US$ 120 milhões. Por último, em quinto lugar, o casal Hernandes (Estevam e Sônia). Estes estão meio "quebrados". A imagem ficou um pouco maculada depois de alguns escândalos e acabaram perdendo alguns contribuintes de peso, dentre eles o Kaká.

Pelo que soube, o único que se manifestou sobre a reportagem foi o Silas Malafaia que, felizmente, não se encontra mais vinculado à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil - CGADB. Sua igreja, embora leve o nome de Assembleia de Deus, não está vinculada a nenhuma convenção da centenária Assembleia de Deus da qual tenho a honra de ser membro e Ministro.

Segundo o pastor Silas Malafaia, tudo não passa de uma "safadeza" da revista. Para ele, trata-se de "um jogo muito bem organizado para denegrir pastores evangélicos a fim de que a sociedade tenha uma ideia de que pastor é um malandro usurpando dinheiro de imbecis e idiotas a fim de se locupletar". Silas enfatizou, ainda, que o cálculo feito pela revista está errado e que ele não é dono da igreja da qual é pastor e nem da Associação Vitória em Cristo. Afirmou, ainda, que a matéria pode ter um fundo político, haja vista que ele apoiou muitos candidatos nas últimas eleições.

O pastor Silas Malafaia está de parabéns em vir a público para tentar dar uma explicação, mas, vamos falar a verdade, sua justificativa é difícil de engolir. Afirmar que o objetivo da revista é denegrir a imagem de todos os pastores evangélicos, sinceramente, não cola. Esta reportagem, tenho certeza, em nada mudará a imagem que a população possui, por exemplo, do meu pastor, um homem que, há mais de cinquenta anos tem dedicado sua vida à pregação do Evangelho, sem se enriquecer ilictamente. Assim como ele, o Brasil está cheio de homens de Deus que, abnegadamente, estão anunciando a Palavra de Deus, sem o intuito de se enriquecerem à custa das ovelhas e não é a reportagem de uma revista que vai denegrir a imagem destes homens. Parece que o senhor Silas Malafaia, tão conhecedor da Bíblia, esqueceu-se do texto do Evangelho de Mateus 12.33 "porque é pelo fruto que se conhece a árvore".

Obviamente, não estou afirmando que o obreiro não tenha direito de ter o seu sustento garantido pela igreja que ele se dedica a pastorear. No entanto, não vejo na Bíblia nenhum ensinamento no sentido de que aqueles que vivem do Evangelho devam acumular fortunas como as que foram mencionadas acima. 

O que me deixa mais triste é saber que cristãos deixam de contribuir financeiramente em suas congregações, onde tem um pastor vinte e quatro horas à sua disposição e que necessita de sua ajuda financeira, para enviar "ofertas" para estes homens comprarem seus jatinhos, fazendas, carrões de luxo, etc. Este reino não é o Reino de Deus, é o reino dos homens. Que Deus nos guarde.

sábado, 24 de abril de 2010

FRASEANDO

Por Pr. Ariovaldo Ramos

Deus é tão bom, que, a cada dia, me exercito em perceber os seus milagres, em tudo e em todos.

Na ressurreição do Cristo comemoramos o dia em que a humanidade venceu. A partir do que, tudo é, apenas, uma questão de tempo!

Deus se realiza em nos fazer gente feliz!

Ser cristão é subir uma escada rolante: não é você que sobe a escada, é a escada que sobe você.

A divisa da Igreja: cada cristão como o Cristo; cada comunidade local como a Trindade; cada pessoa tendo a oportunidade de entrar no Reino; a sociedade humana como o Reino; e o planeta como o Jardim.

O segredo do cristão não é nunca pecar, mas sempre se arrepender.

Santidade é dedicação exclusiva à Trindade.

A vitória do cristao, não é não passar pelo sofrimento, é não ser derrotado por ele.

Sofrer é um verbo que o cristao não precisa conjugar.

Dar, a Deus, graças, em tudo, é colocar a vida nos braços do Pai.

De arrependimento em arrependimento somos, pelo Espírito, transformados à imagem do Cristo: a glória de Deus!

Somos filhos do Deus que sempre quis ser o nosso Pai.

Estar em Cristo, desde antes da fundacao do mundo, é ter certeza de que a sua existencia não foi um acidente... Alguém queria você.

A cada vez que, em nossa forma de viver, atendemos ao Cristo, a exemplo dos garcons do casamento em Caná, nos tornamos agentes de milagres.

Nem sempre entendemos o que o Cristo nos pede, mas sabemos que redundará em algum milagre para o bem de muitos.

Ter ao Cristo, como o principal convidado em nossa vida, é saber que tudo pode recomecar, não importa o que aconteca.

Todos estamos sob a lei da impossibilidade, quando tudo, o que possa ser feito, escapa ao nosso controle. Só o milagre vence essa lei. O cristao vive na esperanca do milagre... Sempre.

Vida cristã é andar sobre as águas, logo, só pode ser vivida no poder do Espírito.
Renovar o entendimento é saber que o que se sabia sobre ser sustentado pelas aguas mudou, desde que Cristo andou sobre elas.

A glória de Deus é ter misericórdia de quem quiser, logo, a glória de Deus passa por nós.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bijuterias e pastéis de vento

Conforme consta na relação ao lado, estou lendo o livro "O Evangelho Maltrapilho" de Brennan Manning. Dizem que Manning é um teólogo liberal. Não vejo assim.Para falar a verdade, nunca vi alguém escrever e descrever tão bem a Graça quanto ele.

O título desta postagem reproduz o título do caítulo sete do livro, do qual destaco o seguinte:

"Os impostores do Espírito sempre preferem as aparências à realidade. A racionalização começa com uma olhada no espelho. Não gostamos da visão do que realmente somos, por isso recorremos a cosméticos a maquiagens, Pa luz correta e aps acessórios adequados que gerem uma imagem aceitável de nós mesmos. Valemo-nos de um elegante disfarce para projetar uma imagem positiva de nós mesmos - ou pelo menos uma imagem diferente daquilo que realmente somos. O auto-engano financia nossa pecaminosidade e nos impede de nos enxergarmos como realmente somos:maltrapilhos."

O homem sem Cristo não passa mesmo de um maltrapilho.

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)". Ef 2.4,5.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SOBRE VERDADES E MENTIRAS

Ed René Kivitz

Cansei de varrer angústias para debaixo dos chavões. Não me importo de ser taxado de herege e que alguns divulguem que estou me desviando da fé evangélica. Não me incomoda mais o julgamento impiedoso e implacável dos que sobrevivem de certezas. Não estou mais disposto a repetir velhas fórmulas que não me fazem sentido nem oferecem abrigo para as almas amarrotadas pela dor. Não suporto mais a solidariedade das palavras vazias dos clichês religiosos e da teologia mais ocupada em defender a Deus do que em amar o próximo.

Não temo o caminho. A noite escura do silêncio e das dúvidas da alma não me apavora mais do que a infertilidade dos dogmas do dia claro. Tenho certeza de que minha trilha é percurso de vida. E tenho boas razões para crer assim.

Ando sobre as pegadas dos questionadores, dos inquietos, dos rebeldes, dos que não encontram descanso, sem qualquer temor de me perder no labirinto da complexidade da razão e dos descaminhos do coração, que “têm razões que a própria razão desconhece”.

O que não quero é ser contado entre os cínicos. Não me admito mais seguindo na fila indiana dos covardes. Jamais aceitarei a possibilidade da hipocrisia. Prefiro a verdade, a minha verdade, ainda que minha verdade seja mentira, pois mais vale apostar no que é verdade para a consciência, ainda que seja mentira, do que numa verdade estranha à consciência. A consciência vale mais que a verdade, pois somente na verdade relativa da consciência a verdade verdadeira poderá se impor sobre a mentira.

Caminho sem qualquer receio entre as verdades e mentiras das consciências humanas – a minha e a de todos os caminhantes. A Verdade em que creio não é uma idéia, é uma pessoa. Não tomo como definitivas as verdades das consciências, já que descanso na Verdade que é uma pessoa.

Minhas vísceras clamam pelo encontro com a pessoa que é a Verdade, e justamente por esta razão não posso conviver com quaisquer verdades que sejam estranhas à minha consciência. Relacionamentos não se baseiam em verdades, mas em integridade, autenticidade, transparência, sinceridade, mútua confiança. Prefiro estar errado sendo íntegro do que certo sendo falso. Você deve suspeitar que eu esteja enganado ou equivocado, mas pode acreditar que estou sendo honesto. Não me importo em descobrir que minha verdade é uma mentira. Mas jamais me relacionaria com você baseado em algo que para mim seja mentira somente porque para você é verdade.

Caso se importe, fique tranqüilo comigo. Creio na graça de Deus, que me interpela e me encontra. Creio no Espírito Santo de Deus, que me conduz a toda a verdade. Creio em Jesus, caminho, verdade e vida. Creio que sou amado pelo Pai, o Filho e o Espírito Santo com amor maior do que eu tenho por mim mesmo. Creio que o Deus Triuno me levará à luz da verdade verdadeira, desmascarando minhas mentiras. E creio que o caminho mais curto para a verdade verdadeira é a admissão de minhas verdades relativas. Antes de me levar à verdade verdadeira, certamente Deus me levará às minhas verdades relativas, quer para que sejam desmascaradas e se revelem mentira, quer para me revelar que não eram tão mentirosas assim.

Romanos 12.2
2Coríntios 13.8
Hebreus 4.12

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

DE OLHO NO STF

por Valmir.Nascimento

O ano de 2008 foi histórico para a Suprema Corte brasileira (STF). Isso porque, como bem lembrou o ministro Gilmar Mendes em seu discurso de abertura do Ano Judiciário de 2009, o ano que passou ficou marcado por decisões que provocaram grande repercussão no cenário socieconômico e político do país, e também da comunidade internacional, como a controvérsia acerca da realização de pesquisas científicas com células embrionárias humanas e do início do debate sobre a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Além, ainda, daqueles relativos à fidelidade partidária, à proibição do nepotismo no âmbito de toda a administração pública nacional, à edição de medidas provisórias sobre créditos extraordinários, à constitucionalidade da especialização das varas, ao piso salarial de professores, à limitação do uso de algemas.

Ao meu ver, algumas das decisões foram acertadas, outras nem tanto. Mas, independente de minhas impressões e percepções a despeito dos julgamentos pretéritos por parte dos ministros, a verdade é que o STF cada dia mais vem sendo palco de debates importantíssimos para a sociedade. Seus julgamentos ganham relevância na medida em que definem questões fundamentais que afetam a vida de todo cidadão.

Teoricamente, o STF sempre foi dotado de tal relevância, posto ser o representante máximo do Poder Judiciário e o guardião maior da Constituição Federal. Entretanto, em razão da possibilidade jurídica (absurda) de recursos dentro do ordenamento jurídicos pátrio, acontecia que a Suprema Corte acabava abarrotada de processos para decisão de questões secundárias, afastado-a, portanto, do seu propósito central.

Ocorre que, partir da Emenda Constitucional n.º 45, denominada de “Reforma do Judiciário”, que entre outras inovações criou instrumentos para a efetividade e a celeridade do processo, com os estabelecimento de filtros recursais, o STF começou a receber menos demanda, tanto é que no ano passado constatou-se a redução de 41% no total de processo distribuídos.

Como disse o Ministro Gilmar Mendes, “de tudo resulta que o desate do nó górdio que aprisionava a Corte na esdrúxula tarefa de apreciar recursos inviáveis ou improcedentes importou não só maior qualidade nas decisões proferidas, como também mais dinamismo e aproximação da sociedade, com evidente ganho nas relações de cidadania e do fortalecimento do Estado Democrático de Direito”.

Outro fator que vem abrindo espaço para a atuação ampla do Judiciário no Brasil é exatamente a ineficiência do Legislativo, que por não legislar sobre temas fundamentais acaba jogando para o STF a responsabilidade de “legislar atipicamente”, ou seja, decidir sobre assuntos que deveriam ser matéria de leis específicas, como aconteceu com a infidelidade partidária e o nepotismo no poder público.

Nesse contexto, então, o STF continua seu caminho, que vai com o tempo se alargando ainda mais, inclusive com decisões inovadoras. Para se ter uma idéia, já no ano corrente os ministros decidiram pelo direito de liberdade do réu até que o caso tramite em julgado, decisão essa que provocou efeito cascata em todas as esferas do judiciário.

Alguém pode indagar sobre a razão pela qual estou a escrever sobre esse tema aqui no blog. Esse é o xis da questão.

A primeira razão é que esse blog não fala somente sobre religião, igreja, fé e espiritualidade, mas também, na medida do possível, sobre direito, política, economia, mídia, jornalismo e quiçá sobre ornitorrincos.

A segunda razão é que a atuação do Suprema Corte do Brasil tem tudo a ver com cosmovisão, importando, assim, a todo cristão. O direcionamento das questões mais relevantes no meio social deve despertar a atenção da igreja, que não pode viver de olho no seu próprio umbigo, mas sim, com os olhos voltados para fora. Aliás, igreja em grego é eklesia que quer dizer “chamado para fora”. Mesmo porque as decisões proferidas pelo STF podem afetar e muito a atuação da igreja no plano social.

Observar a atuação do STF é importante também porque o panorama ideário que domina a seara jurídica atual não é dos melhores. O desconstrucionismo é a idéia que reina. Segundo essa teoria, a linguagem não revela significado, antes é uma construção social. E se o texto não possui um significado inerente a ele próprio, cabe ao intérprete dizer o seu significado. E se cabe ao intérprete desconstruir ou dizer o seu significado, no caso da lei, então, a intenção do legislador já não tem tanta validade, de modo que o julgador é o senhor da interpretação, aplicando a lei em conformidade com o contexto.

Assim, é importante estarmos atentos aos passos do STF, afinal, assuntos como aborto, homofobia e liberdade de expressão em breve baterão às portas do pretório excelso, daí veremos como as coisas ficarão.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cinco mitos e falácias do liberalismo

Por Silas Daniel
Estive refletindo nos últimos dias sobre alguns mitos do liberalismo, seja ele secular ou teológico, que têm sido disseminados. Devido à popularidade de alguns deles, achei por bem escrever a respeito. É o que se vê a seguir.O mito de que os liberais são mais felizes do que os conservadoresA propaganda cultural nos últimos anos tem disseminado em livros, filmes, novelas e revistas a idéia de que os conservadores são infelizes enquanto os liberais são felizes. A lógica, segundo a tal propaganda, é a de que os conservadores são infelizes porque “são reprimidos”, enquanto os liberais são felizes porque “não castram seus desejos”. Nada mais falso. As figuras do conservador infeliz e do liberal feliz-da-vida são estereótipos de obra ficcional. A vida tem mostrado que o inverso é que é bem mais comum.Quem adota um comportamento liberal não encontra a felicidade, mas, no máximo, paliativos, placebos, fugazes narcóticos psicológicos. O liberalismo, a princípio, traz uma falsa sensação de liberdade à pessoa, mas, em seguida, leva-a a um ciclo de insatisfação constante, onde os vazios existenciais são preenchidos por prazeres passageiros e mais retiradas de limites, num ciclo sem fim de liberalização.Ou seja, o liberalismo é uma droga que leva a pessoa e a sociedade, inconscientemente, à autodestruição paulatina. Só quando a pessoa descobre a importância de Deus e dos valores em sua vida, consegue reverter o quadro.Quem vive segundo os princípios da Palavra de Deus já sabe disso há muito tempo. Mas parece que alguns estão começando a descobrir isso só de alguns anos para cá. Na edição de 27 de março da revista The Economist, foi publicada uma matéria com o seguinte título: Why conservatives are happier than liberals (Porque os conservadores são mais felizes do que os liberais). O texto traz os resultados de uma pesquisa feita em 2004 nos Estados Unidos. O estudo mostra que os norte-americanos que se dizem “conservadores” ou “muito conservadores” são duas vezes mais felizes do que os que se dizem “liberais” ou “muito liberais”. Mais precisamente, cerca de 50% dos “conservadores” ou “muito conservadores” se dizem “muito felizes”, enquanto apenas 25% dos “liberais” ou “muito liberais” se dizem “muito felizes”. E, segundo os pesquisadores, se acrescentados aos que se dizem “muito felizes” os que se dizem apenas “felizes”, a diferença abissal permanece entre os dois grupos.A matéria da revista inglesa ainda lembra que alguém poderia até argumentar que os liberais norte-americanos estariam se sentindo infelizes devido ao fato de estarem vivendo sob o governo conservador de George Bush, mas, assevera a matéria, tal argumentação não procede, já que pesquisas do mesmo tipo feitas nos últimos 35 anos nos Estados Unidos têm tido o mesmo resultado: os conservadores são muito mais felizes do que os liberais. Sempre. Seja qual for o contexto.E é importante que se diga: essa felicidade pesquisada pelo estudo não diz respeito à satisfação das pessoas com a situação do mundo, mas ao grau de satisfação que elas têm em relação à vida que levam, ao seu trabalho, à sua vida afetiva, à família, etc, apesar da situação do mundo.Em seu livro Gross National Happiness, citado na matéria de The Economist, o professor Arthur Brooks, especialista no assunto, acrescenta que a mesma pesquisa também tem mostrado que as pessoas casadas e que estão toda semana na igreja são muito mais felizes do que as que banalizam o casamento e desprezam a religião.Brooks ressalta ainda que os fatores religiosidade e secularismo pesam na balança. De acordo com o estudo, apenas 22% dos liberais não-religiosos se dizem “muito felizes”. E os liberais religiosos são tão felizes quanto os conservadores seculares. Os dois últimos são majoritariamente “não tão felizes”. Já os conservadores religiosos dos Estados Unidos (a esmagadora maioria de protestantes, já que 65% dos conservadores dos EUA são protestantes) são os mais felizes de todos: mais de 50% deles afirmam que são “muito felizes”. Só 5% deles se dizem “infelizes”.Isso nos faz lembrar o salmista (Sl 1).O mito de que liberalização é melhor do que restriçõesÉ comum ouvirmos, até mesmo entre cristãos, o mito, cada vez mais popular, de que quanto mais você insiste em uma restrição, pior será, porque, segundo alguns acreditam, a manutenção daquela restrição só alimentará a transgressão dela. E a liberalização, isto é, a retirada da restrição, ao contrário, diminuiria a transgressão. Isso não é verdade. A vida tem mostrado que a liberalização, além de não diminuir a transgressão (muito pelo contrário: aumenta), leva a outra retirada de limites e depois a mais outra, e assim sucessivamente.Meu amigo Valmir Nascimento, de Cuiabá, em seu blog http://www.comoviveremos.com/, já escreveu sobre o caso holandês, mas vale a pena repetir: a Holanda, um dos países mais liberais do mundo, está em crise com seu liberalismo. O país que, primeiro do que todos os outros, legalizou a eutanásia, o aborto, as drogas, o “casamento” entre homossexuais, a prostituição e o sexo ao ar livre em praças selecionadas (e já discute a liberalização da pedofilia – numa prova clara de que uma liberalização leva a outra, num ciclo interminável) reconhece que essa sua posição não melhorou o país. Ao contrário: aumentou seus problemas.Em matéria publicada na revista Veja de 5 de março, sob o título Mudanças na vitrine, o jornalista Thomaz Favaro ressalta que, desde que a prostituição e as drogas foram legalizadas na Holanda, tudo mudou em De Wallen, famoso bairro de Amsterdã, capital holandesa, onde a tolerância era aceita. “A região do De Wallen afundou num tal processo de degradação e criminalidade que o governo municipal tomou a decisão de colocar um basta. Desde o início deste ano, as licenças de alguns dos bordéis mais famosos da cidade foram revogadas. Os coffee shops já não podem vender bebidas alcoólicas nem cogumelos alucinógenos, e uma lei que tramita no Parlamento pretende proibi-los de funcionar a menos de 200 metros das escolas. Ao custo de 25 milhões de euros, o governo municipal comprou os imóveis que abrigavam dezoito prostíbulos. Os prédios foram reformados e as vitrines agora acolhem galerias de arte, ateliês de design e lojas de artigos de luxo”.A matéria destaca ainda que a legalização da prostituição na Holanda resultou “na explosão do número de bordéis e no aumento da demanda por prostitutas”. Nos primeiros três anos de legalização da prostituição, aumentou em 260% o tráfico de mulheres no país. E a legalização da maconha? Fez bem? Também não. “O objetivo da descriminalização da maconha era diminuir o consumo de drogas pesadas. Supunham os holandeses que a compra aberta tornaria desnecessário recorrer ao traficante, que em geral acaba por oferecer outras drogas. (...) O problema é que Amsterdã, com seus coffee shops, atrai ‘turistas da droga’ dispostos a consumir de tudo, não apenas maconha. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boêmio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa”, afirma a matéria de Veja.O criminologista holandês Dirk Korf, da Universidade de Amsterdã, afirma: “Hoje, a população está descontente com essas medidas liberais, pois elas criaram uma expectativa ingênua de que a legalização manteria os grupos criminosos longe dessas atividades”. Pesquisas revelam que 67% da população holandesa é, agora, a favor de medidas mais rígidas. E ainda tem gente que defende que o Brasil deve legalizar a maconha, o aborto, a prostituição, etc, citando a Holanda e outros países como exemplo de “modernidade”.Veja o caso da Suíça. Conta Favaro: “A experiência holandesa não é a única na Europa. Zurique, na Suíça, também precisou dar marcha a ré na tolerância com as drogas e a prostituição. O bairro de Langstrasse, onde as autoridades toleravam bordéis e o uso aberto de drogas, tornara-se território sob controle do crime organizado. A prefeitura coibiu o uso público de drogas, impôs regras mais rígidas à prostituição e comprou os prédios dos prostíbulos, transformando-os em imóveis residenciais para estudantes. A reforma atraiu cinemas e bares da moda para o bairro”.E a igualmente liberal Dinamarca? “Em Copenhague, as autoridades fecharam o cerco ao Christiania, o bairro ocupado por uma comunidade alternativa desde 1971. A venda de maconha era feita em feiras ao ar livre e tolerada pelos moradores e autoridades, até que, em 2003, a polícia passou a reprimir o tráfico de drogas no bairro. Em todas essas cidades, a tolerância em relação às drogas e ao crime organizado perdeu a aura de modernidade”.Dessa “modernidade”, não precisamos. Nunca.O mito de que os liberais evangélicos estão “remando contra a maré”Um dos discursos mais usados hoje pelos adeptos de posicionamentos liberais no meio evangélico para romantizar sua luta é a de que são uma espécie de “Davi” lutando contra um “Golias” (que, neste caso, seria os que defendem a ortodoxia bíblica). Tentam imprimir na mente das pessoas, para sensibilizá-las em seu favor, a idéia de que a sua luta é a de uma “minoria esmagada”, que supostamente seriam eles, contra uma “maioria sufocante”, que supostamente seriam os ortodoxos. Usam, inclusive, muitos termos como “remar contra a maré”, “ter a coragem de ser diferente”, “fugir do consenso”, etc, para definir seu mourejar, apresentando-se como vítimas e, assim, legitimando, crêem, sua luta e, dessa forma, condenando a atividade apologética ortodoxa.Ora, se existe uma coisa que os liberais não estão fazendo é remar contra a maré, ter coragem de ser diferente e fugir do consenso ideológico.Quem está realmente remando contra a maré, tendo a coragem de ser diferente e fugindo do consenso ideológico são os conservadores. Os liberais evangélicos apenas reproduzem o que a mídia secular e os pensadores populares de hoje defendem. A verdadeira minoria que estão tentando sufocar em nossos dias são os chamados ortodoxos, não os liberais.Se um liberal é a favor do aborto e a mídia é a favor do aborto, governos são a favor do aborto e a maioria dos pensadores incensados é a favor do aborto, quem está sendo minoria ideologicamente? O liberal ou o ortodoxo?Se um liberal é condescendente com o homossexualismo e a mídia é condescendente com o homossexualismo, o governo também e a maioria dos pensadores hodiernos idem, quem está sendo minoria ideologicamente? O liberal ou o ortodoxo?Se um liberal é a favor da eutanásia e a mídia é a favor da eutanásia, o governo é a favor também e a maioria dos pensadores de hoje idem, quem está sendo minoria ideológica? O liberal ou o ortodoxo?
Se um liberal é a favor do ecumenismo e a mídia aprova a idéia do ecumenismo, bem como governos e a maioria dos pensadores, quem está sendo minoria ideológica? O liberal ou o ortodoxo?Não há nenhum suposto “heroísmo” (ou idéia parecida) na luta liberal, mas conformação e submissão à mentalidade das cabeças pensantes do mundo (Rm 12.2).Nem por isso os ortodoxos vivem usando diante da sociedade o discurso de “minoria esmagada”, de vítima ideológica, usado pelos liberais, para legitimar seu posicionamento. Pelo contrário! Quem é biblicamente ortodoxo defende o que defende só por uma razão: é bíblico. E com o adendo de que a própria lógica, quando não distorcida, abona o pensamento ortodoxo.Vale a pena repetir aqui o que coloquei na última postagem: o verdadeiro cristão não é Vox populi vox Dei (“A voz do povo é a voz de Deus”), mas Sola Scriptura (“Somente as Escrituras”). Ou como disse Blaise Pascal (vale a pena relembrar): “Um dos artifícios que o demônio usa para pôr os homens no caminho do mal é dar nomes desprezíveis a certas virtudes eternas e, assim, encher as almas fracas com o tolo medo de passarem por antiquadas se as exibirem”.O mito de que os cristãos liberais são mais relevantes do que os conservadoresMais outra falácia: a maioria esmagadora dos cristãos que fizeram realmente diferença positiva na História (cristã e secular) é de ortodoxos. Vide John Wesley, William Wilberforce, Jonathan Edwards, David Linvingstone, etc. A lista é extensa.O mito de que ser liberal é um desafio muito maiorOutro discurso igualmente comum e falso. Quem acredita nisso está engolindo acrítica e tolamente um chavão do liberalismo. Quem analisa o mínimo possível as afirmações que ouve não cai numa enganação dessas.É muito mais fácil ser liberal do que ser ortodoxo; ser “cinzento” do que ser “preto no branco’; ser conveniente do que ser realmente bíblico. O liberalismo teológico é como o Dadaísmo na Arte. Não é preciso estudar técnicas artísticas para produzir “arte” dadaísta. Da mesma forma, não é preciso conhecer bem a Bíblia para ser liberal. Aliás, para ser um bom liberal, você não precisa nem gostar de Bíblia. Diferentemente do ortodoxo. Não é à toa que liberais chamam ortodoxos de “bibliólatras” e a maioria deles nem crê na autoridade da Bíblia. Nada mais sintomático.É mais fácil ser exótico do que andar certo. É mais fácil ser subversivo do que ser lúcido. É mais fácil pecar do que ser santo. É mais fácil deixar o mato crescer do que ficar cuidando do jardim. É mais fácil destruir do que construir. É mais fácil descer ladeira abaixo do que subir a montanha. É mais fácil se conformar com o pensamento de nossa época do que ir contra a correnteza, não se conformar com o mundo. É mais fácil fugir dos problemas do que enfrentá-los. É mais fácil retirar limites do que mantê-los. É mais fácil ser politicamente correto do que ser politicamente incorreto. É mais fácil dizer que não há verdade do que pregar e viver a Verdade. É mais fácil dizer que não há respostas do que encarar a Reposta.
Liberalismo é amar mais o aplauso do mundo do que a aprovação do Céu.E é preciso ser muito mais profundo para ser ortodoxo do que para ser liberal. Aprofundar-se na Verdade, perfurar a superfície, apresentar de forma criativa a Verdade absoluta, é que é o verdadeiro desafio. Relativismo é despiste. Liberalismo é escapismo. É fuga. É tergiversação. É uma forma popular e fácil de tentar soar teologicamente profundo sem ser.Que as palavras de A. W. Tozer, proferidas há mais de quatro décadas, possam ecoar em nossos corações: “Voltem para as fundas raízes. Abram o coração e sondem as Escrituras. Levem sua cruz, sigam o seu Senhor e não dêem atenção à moda religiosa que passa. As massas estão sempre erradas. Em cada geração, o número de justos é pequeno. Certifiquem-se de que estão entre eles”.

sábado, 29 de novembro de 2008

O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO

Outro dia alguém pinçou uma de minhas afirmações para afirmar que eu não acredito em milagres. A afirmação que fiz foi que Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. De fato, representa muito do meu pensamento: a principal obra de Deus no humano é a conformação do humano à imagem de seu Filho Jesus, que Paulo, apóstolo, chama de “primogênito entre muitos irmãos”. Mais do que fazer coisas boas para o ser humano, Deus está comprometido em transformar o ser humano, ainda que isso custe deixar ou permitir que coisas ruins aconteçam a este ser humano em processo de transformação. Deus não atua no ramo de “conforto para os fiéis”. Deus atua no ramo de transformação do humano à imagem de Jesus Cristo.
Daí a extrapolar que eu não acredito em milagres é um pulinho. Confundir a ênfase da minha teologia – “Deus faz em nós, e não necessariamente por nós”, com “Deus nunca faz nada por nós”, é até compreensível.
Na verdade, o que pretendo dizer é melhor compreendido quando se dá atenção ao “não necessariamente”: Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. Sublinhe o “não necessariamente”. Isso significa que Deus pode fazer e pode não fazer, e que o fazer ou deixar de fazer é imponderável, afetado por muitas variáveis que extrapolam o nosso controle e nosso entendimento. O que acredito, portanto, é que Deus sempre deseja fazer algo em nós, mesmo quando não faz algo por nós. Deus está sempre agindo para nossa transformação, mesmo quando não atua em nossas circunstâncias.
Por esta razão, minha conclusão é óbvia e simples: não devemos pautar nosso relacionamento com Deus na expectativa de que Ele faça algo por nós, mas na certeza de que Ele deseja fazer algo em nós. Quando Ele faz algo por nós, amém, quando não faz, amém também. O que não podemos permitir é que a expectativa de que Ele faça algo por nós nos deixe cegos ou imobilizados para o que Ele quer fazer em nós.
A maioria dos cristãos baseia seu relacionamento com Deus na dimensão “por nós”: o Deus de milagres, o Deus de poder. Alguns poucos baseiam seu relacionamento com Deus no “em nós”: o Deus de amor que nos constrange a viver para Ele e não para nós mesmos, onde viver para Ele implica sempre morrer para si mesmo, tomar a cruz e meter o pé na estrada. O milagre é problema (ou solução) de Deus. A fidelidade é problema meu. Atuar em minhas circunstâncias é o imponderável do mistério de Deus. Atuar em mim é o essencial do propósito de Deus. Você escolhe a base de sua relação com Deus: aquilo que pode acontecer ou não – o milagre, ou aquilo que certamente acontece – a transformação.
Texto de Ed René Kivitz (Fonte:http://outraespiritualidade.blogspot.com)

VERGONHA


Por Rui Barbosa, escrito em 1914
A FALTA DE JUSTIÇA, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Carta aberta aos músicos cristãos

Por Brian McLaren
Saudações, colegas compositores, adoradores, líderes de louvor, músicos, artistas e seguidores de Jesus.Durante os últimos anos, tive o privilégio de passar bastante tempo “na estrada”, falando, com e para jovens líderes emergentes. Eu suponho que tenha sido convidado porque muitos desses líderes emergentes estão lutando com a desafiante realidade da pós-modernidade - uma realidade cujo enfrentamento me fez perder muitos fios de cabelos - e sobre a qual eu já escrevi alguns livros. Em meu contexto de origem, sou um pastor servindo a uma igreja que se comprometeu em viver a transição pós-moderna e enfrentar as questões que ela apresenta de uma forma ousada e confiante. Quando digo “ousada e confiante”, estou bastante ciente de que não existem até agora mapas que nos guiem nessa aventura - portanto, não temos uma idéia clara de para onde estamos indo, mas apenas a certeza de que estamos procurando seguir a Jesus. Sentimo-nos mais ou menos como o povo de Israel saindo do Egito da modernidade, e cruzando o mar em direção a um deserto desconhecido... Confiamos, no entanto, que uma coluna de nuvem e uma coluna de fogo nos conduzirão durante o dia e à noite.
Um dos benefícios de viajar é a oportunidade de conhecer coisas novas. Como músico que também sou, tenho gostado de conhecer e escutar dúzias de bandas e líderes de louvor, e também de passar horas, literalmente, em quase todos os eventos dos quais participo, sendo conduzido em adoração. De tudo que tenho conhecido e ouvido, existem muitas coisas que eu poderia me imaginar compartilhando com vocês, líderes de louvor. Existem, com efeito, inúmeras tendências encorajadoras ao lado de alguns poucos problemas persistentes. Mas uma coisa sobressai às demais: ela é, na verdade, um pedido mais do que qualquer outra coisa. Um pedido dirigido aos compositores em nosso meio para que explorem - e depois nos guiem em direção a - novos territórios espirituais e poéticos.
Com freqüência, ouvimos reclamações concernentes à pobreza das músicas, a monotonia das letras, a estreiteza teológica no universo da música cristã contemporânea. Algumas dessas reclamações vêm de pessoas que secretamente desejam que nós voltemos a cantar hinos como eles faziam nos anos 50 (se 1850 ou 1950, você decide). Eu não estou interessado em reclamações, e tenho pouco interesse nos anos 50 (exceto, talvez, em 2050). Não. Aqui está o que eu ando perseguindo: muitos de nós acreditamos que estamos entrando (ou talvez já estejamos lá) um período de transição teológico/cultural/espiritual significativo; possivelmente tão significativo historicamente quanto o período da Reforma, quando o mundo medieval deu lugar ao mundo moderno. Agora, à medida que o mundo moderno dá lugar ao mundo pós-moderno, não devíamos nos surpreender se presenciássemos uma revolução teológica (ao final da qual, nos tornássemos mais bíblicos, mais espirituais, mais eficientes em nossa missão - e, Deus, por favor - mais esclarecidos com respeito àquilo em que ela consiste, ao que ela é). Mas aqui reside o problema.No mundo moderno, a teologia era praticada por acadêmicos eruditos, e podia ser encontrada em livros e preleções. No mundo pós-moderno, muitos de nós acreditamos que os teólogos terão de sair mais freqüentemente das bibliotecas e se misturar ao restante de nós. E os melhores dentre eles darão as mãos aos poetas, músicos, cineastas, atores, arquitetos, decoradores, paisagistas, dançarinos, escultores, pintores, romancistas, fotógrafos, desenhistas gráficos e todos os outros tipos possíveis de irmãos e irmãs envolvidos com a arte. E isso, não apenas para comunicar uma teologia cristã pós-moderna, mas também para discerni-la e até mesmo para descobri-la. Porque uma das maiores mudanças dessa transição é a mudança do paradigma da utilização do lado esquerdo do cérebro apenas, para o paradigma da utilização do cérebro inteiro. Uma mudança de um racionalismo analítico e reducionista para uma perspectiva teológica mais abrangente e integral - uma teologia da mente e do coração, do entendimento e da imaginação, da palavra e da imagem, da inteligibilidade e do mistério, da explicação e da narrativa, da exposição e da expressão artística. Nossos compositores poderiam exercer um papel espiritual-chave no enraizamento desse tipo mais integral de teologia na experiência da fé de nosso povo.
Mas, tristemente, o que eu tenho percebido nas extensas horas de adoração em que tenho participado ao redor do país, é que muito raramente as letras de nossas músicas têm nos conduzido a esse novo território. Ao contrário, de algumas maneiras, as letras de nossas músicas têm nos mantidos presos ao corriqueiro e comum. Por favor, não escutem estas palavras como mero criticismo, mas como um pedido - um pedido gentil, mas honesto e apaixonado - por mudança. Sendo mais específico: uma quantidade demasiadamente grande de nossas canções é constrangedoramente personalista, sobre mim e Jesus. Ora, intimidade pessoal com Deus é um passo maravilhoso para além da mera repetição fria, abstrata e estática do dogma; mas não é tudo. De fato - isso talvez choque você - no novo e emergente mundo pós-moderno, intimidade com Deus não é necessariamente o ponto principal. Uma canção de adoração que tenho ouvido em muitos lugares nos últimos anos diz que a adoração é “toda a seu respeito, Jesus”, porém, com exceção desta frase, a sensação que temos é que a adoração - bem como o cristianismo em geral - tem se tornado cada vez mais acerca de “mim, mim e mim”.Se você duvida do que estou dizendo, preste atenção na próxima vez em que estiver cantando na igreja. As canções dizem respeito à maneira como Jesus me perdoa, me abraça, me faz sentir sua presença, me fortalece, me mantém perto dele, me toca, me aviva etc. E não há nada de mal em tudo isso. Mas se um extraterrestre oriundo de Marte viesse nos observar, eu acredito que ele diria uma dessas duas coisas sobre nós: ou (a) que essas pessoas são todas meio disfuncionais e necessitam de muita terapia do abraço (o que é irônico, pois estamos entre as pessoas mais privilegiadas do mundo, tendo sido, de todas as maneiras, mais abençoadas do que qualquer outro grupo na história); ou (b) que eles não se importam nem um pouco com o resto do mundo, que a religião/espiritualidade deles os faz tão egoístas quanto um não-cristão, mas em relação às coisas espirituais apenas e não tanto em relação às coisas materiais.
Eu não acredito que nenhum destes juízos seja tão verdadeiro quanto eles soariam aos ouvidos de um marciano. Ao invés disso, penso que nós compositores continuamos escrevendo canções desse tipo porque acreditamos que isso seja o que as pessoas desejam e necessitam. O assustador, no entanto, é saber que ainda que estes juízos não sejam completamente verdadeiros, eles poderão vir a sê-lo, a menos que tomemos algumas ações corretivas e busquemos um maior equilíbrio. É constrangedor admitir, mas, alguns de nós devem estar pensando nesse momento: “Se a composição de músicas espirituais não diz respeito apenas à temática da intimidade profunda e pessoal com Deus, a que mais ela diz respeito?”
Permitam-me oferecer uma lista de temas bíblicos que faríamos bem em explorar em nossas letras:
1. Vocês ficarão surpresos ao lerem em primeiro lugar que deveríamos explorar o tema da “Escatologia”. É preciso antes esclarecer que não quero dizer com isso que deveríamos adaptar para música o último romance apocalíptico (não, por favor; isso não!). Por escatologia (que significa o estudo do fim ou destino para o qual o universo se orienta), eu entendo a visão bíblica do futuro de Deus o qual está nos atraindo para si. Para muitos de vocês, criados como eu nas escatologias da modernidade tardia, será uma surpresa saber que existe uma abordagem totalmente nova à escatologia em emergência atualmente (liderada por alguns teólogos como Walter Bruegeeman, Jurgen Moltmann, e os “teólogos da esperança”). Esta abordagem não deixa espaço para especulações sensacionalistas e previsões trêmulas. Ao contrário; ela se banha na poesia bíblica de Isaías, Jeremias, Apocalipse... poesia na qual, uma vez interiorizada, planta em nós uma visão de um mundo muito diferente deste nosso e para melhor. E quando esta esperança cresce e cria raízes em nós, tornamos-nos seus agentes. Que alegria profunda poderia ser expressa em cânticos que captem o espírito de Isaías 9.2-7; 25.6-9; 35.1-10; 58.5-14! Quem irá escrever esses cânticos? Eles necessitam ser escritos porque as pessoas precisam de esperança. Elas precisam da visão de um futuro melhor. Elas precisam ter suas imaginações povoadas por imagens de celebração, paz, justiça e plenitude na direção das quais nosso mundo triste, beligerante, poluído e fragmentado se move e caminha. Esta esperança não se traduz por imagens etéreas de um outro mundo fora e acima desse nosso. Ela é algo muito, muito maior do que canções sobre mim no céu. Compositores: mergulhem nessas passagens... e permitam que seus corações sejam inspirados para escrever cânticos de esperança, cânticos de visões, cânticos que hospedem em nossos corações o sonho de um futuro que há muito foi esquecido... o sonho da vinda do reino de Deus, da vontade de Deus sendo realizada na terra como é realizada nos céus.
2. Vocês talvez fiquem igualmente surpresos ao me ver sugerir que nós precisamos de cânticos de missão. Muitos de nós acreditamos que um novo e maior sentido de missão seja o elemento-chave necessário para que entremos no mundo pós-moderno. Mas não falo apenas de missões, nem tampouco de evangelismo. Falo de missão - de participarmos na missão de Deus, no reino de Deus, que é muito maior e mais grandioso do que nossos pequenos esquemas organizacionais de auto-engrandecimento. Tal sentido de missão põe em cheque o fundamento de nossa cultura consumista orientada para “mim, mim e mim” e para as coisas que me dizem respeito. Jesus veio não para ser servido, mas para servir. E assim como Ele foi enviado, Ele também nos enviou ao mundo. Na nova teologia emergente, o coração mesmo de nossa identidade como igreja não é o fato de sermos o povo que foi escolhido para ser abençoado, salvo, resgatado, e abençoado mais um pouquinho. Isto é uma meia-verdade herética, que nossas canções correm o risco de estar espalhando e enraizando mais e mais no nosso povo - de maneira inadvertida, é claro. Não, o coração de nossa identidade como igreja nessa nova teologia emergente consiste em que somos o povo que foi abençoado (como Abraão foi abençoado) para sermos bênção; abençoados, portanto, para que possamos transmitir esta bênção ao mundo.Para muitos de nós, o mundo existe para a igreja. É como se ele fosse uma enorme jazida mineral de onde as pessoas retiram riquezas para construir a igreja, que é o que realmente importa. Na nova e emergente teologia e espiritualidade pós-moderna, esta imagem é terrível. Ela espelha o estupro e o despojamento do meio ambiente por parte de nossas indústrias. Nesta imagem, a igreja é mais uma indústria, tirando e retirando para o seu próprio lucro. Quão diferente é a imagem da igreja como a comunidade apostólica enviada ao mundo como as mãos, os pés, os olhos, o sorriso, e o coração de Cristo! Precisamos de canções que celebrem esta dimensão missional - boas e muitas canções! Aqui também precisamos voltar às Escrituras em busca de inspiração. Precisamos ler os profetas e os Evangelhos e imitarmos o compromisso deles com o pobre, o necessitado, o abatido. Estes temas não deviam ser expressos em canções? Eles não são dignos de serem cantados na igreja? À medida que escrevo, sou desafiado por este pensamento: talvez nós tenhamos supervalorizado o papel da música na adoração a tal ponto - em detrimento de tantas outras opções litúrgicas (poesias, orações históricas, silêncio, leitura meditativa etc) - que acabamos nos esquecendo do papel da música em relação ao ensino. Vocês se lembram de Colossenses 3, onde Paulo fala sobre cantarmos uns para os outros os ensinamentos de Cristo?
3. Uma vez mais, vocês talvez se surpreendam por me ver recomendar que nós devemos redescobrir a histórica espiritualidade cristã e a expressarmos em canções. Como Robert Webber, Thomas Odin, Sally Morgenthaler e outros têm nos ensinado, existe uma enorme riqueza de históricos escritos espirituais, incluindo muitas belíssimas orações, que clamam por serem traduzidas em canções contemporâneas. Cada era na história tem ricos recursos a oferecer: do período Patrístico ao período Celta ao período Puritano. Em cada página de Thomas à Kempis, em cada oração dos grandes santos medievais, existe inspiração esperando por nós... e quando olhamos para as repetitivas e monótonas letras que milhões de cristãos estão cantando (porque isso, gente, é o que nós estamos compondo!) a oportunidade perdida causa tristeza no coração. Essas “vozes estranhas” irão alargar os nossos corações e enriquecê-los de forma imensurável... até que, finalmente, - se nós as convidarmos para participar de nossa adoração através das letras dos cânticos - essas vozes se tornarão vozes de amigos, de irmãos e irmãs, porque isso é o que elas são.
4. Vocês provavelmente ficarão menos surpresos quando virem minha sugestão de que nós precisamos de canções que sejam sobre Deus simplesmente... canções que dêem a Deus o lugar de destaque, por assim dizer. Canções que falem de Deus como Deus, que falem do caráter de Deus, da glória de Deus, e não apenas do excelente trabalho que Deus vem realizando fazendo com que eu me sinta bem. De modo semelhante, nós precisamos de canções que celebrem o que Deus faz pelo mundo - por todo o mundo - e não apenas por mim, ou por nós. Caso você não tenha a menor idéia do que estou falando, leia os Salmos, porque eles celebram o que Deus faz por toda a criação, não apenas pelo povo de Israel. Muitas canções das quais necessitamos também celebrarão a Deus como Criador, um tema importante nas Escrituras, mas não para a maior parte de nossas igrejas. Sentimos falta na era moderna de uma boa teologia da criação, e nessa cultura emergente, nós precisamos de compositores/artistas e teólogos que se unam para celebrar Deus como o Deus da criação, não apenas 15 bilhões de anos atrás (ou quando quer que seja), mas hoje, agora... o Deus que conhece o pardal que cai, o Deus cuja glória ainda se manifesta num raio de luz, cuja ternura ainda se precipita como orvalho da manhã, cujos mistérios são ainda comparados às profundezas dos mares e à imensidão do céu noturno.
5. Eu também devo mencionar a necessidade de cânticos de lamento. A Bíblia está repleta de canções angustiadas, mais tristes do que os mais tristes blues; canções que traduzem a agonizante distância entre o que esperamos e o que temos, o que poderíamos ser e o que somos, o que cremos e o que vemos e sentimos. A honestidade dos cânticos de lamento é perturbadora, pois nem sempre eles terminam com uma nota feliz, como nos cartões comemorativos da Hallmark. Algumas vezes penso que somos demasiadamente felizes. E neste caso, a única maneira de nos tornarmos mais felizes ainda seria tornando-nos um pouco mais tristes. Para isso, então, teríamos de sentir a dor daquele que se encontra cronicamente enfermo, desesperadamente pobre, mentalmente doente; a dor do solitário, do idoso que foi esquecido, da minoria oprimida, do órfão e da viúva. Essa dor deveria encontrar expressão em canções e tais canções deveriam chegar de alguma maneira às nossas igrejas. Quanto mais amargo nós tornarmos o que é doce, melhor. Pois sem o amargo, o que é doce se torna enjoativo. E muitas de nossas igrejas parecem, eu acredito, com a terra das guloseimas ultra-açucaradas. É pedir muito que sejamos mais honestos? Uma vez que a dúvida é parte de nossas vidas, uma vez que dor, ansiedade e frustração são parte de nossas histórias, não poderiam elas estar presentes nas canções que entoamos em nossas comunidades? Não é verdade que cantorias infindáveis acerca de coisas alegres tendem a perder sua vitalidade (e mesmo sua credibilidade) se não cantamos também nossas lutas e tristezas? Já que estou tratando dessa questão, será que poderia oferecer algumas sugestões e fazer alguns pedidos? (Novamente, não sendo crítico, mas procurando ajudar vocês com os seus dons a melhor servirem na igreja nesses tempos de transição). Gostaria de fazer isso na forma de algumas perguntas:Primeira: Posso sugerir que nós finalmente superemos o uso linguagem arcaica em nossas novas letras (rompendo com a tendência de usarmos versões antigas da Bíblia)? Ainda que nós resolvamos manter esse tipo de linguagem em nossos hinos antigos, será que poderíamos abandoná-las em nossas novas composições? Nada mais a acrescentar aqui.Segunda: Posso sugerir que sejamos cautelosos com o uso gratuito de linguagem bíblica - Sião, Israel, nas alturas etc? Se houver uma boa razão para a utilização desse tipo de linguagem - em outras palavras: se as estamos usando intencionalmente e não apenas para criar um clima espiritual - então tudo bem. Do contrário, se pudermos encontrar linguagem e simbologia contemporânea que conecte de forma profunda e imediata com as pessoas que ainda não possuem muitas horas acumuladas de banco de igreja... então, vamos usá-las no espírito de 1 Coríntios 14, onde a capacidade de se fazer inteligível é tida como uma virtude.Terceira: Posso sugerir que nessa era de fundamentalismos islâmicos, nós sejamos cautelosos em relação ao emprego de linguagem que evoque a Jihad e a guerra santa? Eu suponho que exista um tempo e um lugar para esse tipo de linguagem, mas não acredito que nem este lugar e nem o tempo sejam aqui e agora. Em minha opinião, nós agora precisamos é de uma forte dose de paz Anabatista. Quarta: Musicalmente falando, será que eu sou o único desejoso de uma maior variedade rítmica? Por que será que ultimamente eu tenho sido tão abençoado por bateristas e percurssionistas criativos em todo lugar aonde vou? Quinta: Será que nossos líderes de louvor poderiam enriquecer nossa experiência cúltica lendo textos das Escrituras, orações da igreja histórica, credos, confissões, e poemas com um pano de fundo musical? Você talvez não goste de música Rap, mas ela tem tentado nos dizer alguma coisa sobre o poder da palavra falada, isto é, a palavra falada bem escolhida (já temos palavras não-tão-bem-escolhidas demais em nosso meio - creio que você concordará comigo). Finalmente, será que nossos letristas poderiam começar a ler mais poesia (e boa poesia) a fim de que se tornem mais sensíveis ao poder da linguagem, à beleza de uma frase bem construída, ao prazer de uma imagem fresca, nova, ao susto, ou golpe, ou toque, ou surpresa possível quando se insiste um pouco mais na busca pela palavra que realmente quer ser dita, exteriorizada, pronunciada desde o nosso íntimo? Tristemente, enquanto muitas de nossas canções têm música cada vez melhor, as letras ainda se parecem muito a um “trem de clichês”, com um chavão após o outro, numa irritante reciclagem de linguagem decepcionante e sem vida. Não são o nosso Deus, nossa missão, e nossa comunidade dignos de melhor qualidade poética do que temos oferecido até agora?Obrigado por considerar estas coisas. Eu espero que este seja o começo de uma importante e contínua conversa.
Seu colega e servo,Brian McLaren.
Brian McLaren é autor de vários livros, dentre eles: Ortodoxia generosa, A mensagem secreta de Jesus, A igreja do outro lado e Aventuras de quem perdeu o rumo.
Fonte:www.cristianismohoje.com.br

sábado, 22 de novembro de 2008

PREFIRO NÃO SER GOSPEL

Prefiro não ser gospel



Por Carlos Roberto Martins de Souza


Li há pouco tempo um artigo sobre uma reunião do mundo “gospel” onde empresários do ramo defendiam as suas idéias sobre a conquista do mercado musical. Segundo o artigo, a reunião durou uma hora e meia, mas depois de dez minutos a vontade do autor da matéria era sair correndo, enojado com o que estava ouvindo. Falou-se de tudo em termos de “negócios gospel”. Como atingir o mercado, como produzir produtos mais atraentes, como vender o público “gospel” para as empresas seculares, como oferecer vantagens aos pastores para que eles permitissem que os produtos fossem vendidos nas igrejas, como montar shows e espetáculos, e vai por aí afora.Em momento algum, afirmou ele, ouvi algo sobre: como vamos causar um impacto com o evangelho no Brasil e no mundo; quantos novos missionários vamos sustentar com o lucro do negócio “gospel”; o que vamos fazer para ajudar as igrejas a buscarem um avivamento; como vamos tornar Jesus conhecido. A reunião foi frustrante para aquele cidadão que pensava ser o “gospel” algo mais profundo, alguma coisa que de fato fosse mudar os conceitos de cristianismo neste nosso tempo.


Quando não éramos o mercado “gospel”, comprávamos Bíblias para ler e estudar, e não para colecionar. Comprávamos CDs pela profundidade das letras e espiritualidade dos cantores, e não pela fama dos artistas. Abríamos novas igrejas para alcançar os que não conheciam a JESUS, e não por causa de uma nova “visão” que causou divisão. Cada pastor estudava a Bíblia e ouvia o Espírito Santo para pregar a cada semana, e não simplesmente reproduzia a mensagem pronta recebida do seu “bispo ou apóstolo”. No tempo em que não éramos “gospel”, pastor ainda era respeitado e podia comprar no crediário. Não tínhamos bancada evangélica na política, que segundo a imprensa, só gera escândalos. Não precisávamos de prêmios para artistas e escritores de sucesso ou para igrejas que se tornaram famosas. Não tínhamos concorrência entre artistas na busca de um troféu de “Disco de Ouro” por vendagem de discos; não tínhamos a proliferação de “Rádios Piratas” usadas para a divulgação do gênero gospel e suas atividades. No tempo em que não éramos “gospel”, o “show” ainda se chamava “louvorzão”, não cobrava ingresso e não precisava de camarote vip para os artistas. Não se gastava fortunas para a montagem de palcos para a realização de espetáculos. Não se usava maquiadores, pois nem havia camarins. Não precisava reservar hotel “cinco estrelas” para as estrelas do palco. Não se usava jogo de luz, porque a luz que brilhava era a do verdadeiro louvor. Entrevistas e autógrafos sequer eram mencionados pelos que participavam das atividades relacionadas a vida cristã. Os adoradores não precisavam de seguranças, pois estavam seguros no Mestre, não tinham uma agenda de “shows”. Não havia Hip-Hop; Street Dance; Grupos de Teatro; Pagode; Samba; Rap; Funk. Como diz um amigo meu: “e pensar que tudo começou com um jumentinho! Lá em Jerusalém”.
Conseguimos transformar Jesus em “gospel”, “fashion” e “pós-moderno”, mas ainda não conseguimos traduzir a Bíblia para todas as línguas em que ela não existe, nem reverter a corrupção neste país, nem causar um impacto transformador na sociedade. Naquele tempo o objetivo único era a adoração e o testemunho da graça e do amor de Deus. Hoje o jumentinho foi esquecido e em muitos casos foi trocado por uma tal “Eguinha Pocotó”. Isto sem nenhum exagero.


Hoje os resultados da indústria “gospel” mostram gráficos cada vez mais animadores para os empresários. Qualquer um, em qualquer lugar e usando a religião como instrumento de propaganda passou a ser “Cantor Gospel”. O mercado da fé ampliou suas fronteiras sem observar o principio basilar do cristianismo que é a ética cristã. O que se vê hoje é a lei do vale tudo em nome de Deus, mesmo que para isto o nome Dele seja explorado no comércio da fé. No entanto, no tempo em que não éramos “gospel”, os resultados para o Reino eram mais consistentes. Nesta era “gospel” nos orgulhamos de ter milhares de igrejas e milhões de crentes, mas não nos envergonhamos da “corrupção gospel”. No passado éramos adoradores, hoje somos consumidores de todo o tipo do que se intitula música no meio evangélico. Levamos para dentro de nossas igrejas qualquer coisa que faça o povão entrar em transe e se soltar nas nossas reuniões. A inspiração Divina pouco importa, o que manda é não deixar o espetáculo parar.


Orgulhamo-nos por alcançar os mais longínquos lugares e de estarmos no rádio e na TV, mas não nos envergonhamos por termos diminuído o número de missionários no Brasil e no mundo. Orgulhamo-nos de sermos governantes nos mais diversos níveis da política ou de estarmos mais próximos aos dirigentes de nossa nação para orar com eles, mas não nos envergonhamos de que um avivamento ainda não aconteceu em nossa pátria por falta de oração e quebrantamento da nossa parte. Alguém pode dizer que tudo isto é saudosismo. Éramos cristãos, hoje somos meros freqüentadores de casas de espetáculos onde quem determina o roteiro e as regras do show é o mundo com as mais absurdas ofertas de sucesso. Aliás, o sucesso é a cachaça que embriaga os que freqüentam o mundo gospel onde não faltam orgulho, vaidade, exibicionismo como conseqüências da ingestão da tal bebida.


Eu me considero um futurista, sem qualquer dificuldade para quebrar os tradicionalismos do passado. No entanto, eu penso e analiso gerações. E quando faço isto e tiro conclusões, eu vejo que a igreja evangélica brasileira se tornou grande e obesa como um elefante, mas sem agilidade para provocar transformações. Os transatlânticos estão ancorados em todas as esquinas com espetáculos que enchem os olhos, mas não o coração e a alma. Aliás, nem dentro de suas paredes ela consegue provocar mudanças. Assim, mudam-se sim a roupa, a moda, os ritmos, a forma de culto, os aparatos, mas vidas não. Ela corre o risco de girar em torno de si mesma com grande possibilidade de perder de vez o equilíbrio espiritual que já anda cambaleando. Muitas estão embriagadas como disse acima pela aguardente derivada do sucesso e produzidas nos campos agrícolas do inferno. Enquanto esta igreja moderna e cheia de vícios mundanos não acordar para um quebrantamento do Espírito, vamos nos encantar com nosso gigantismo, mas não seremos efetivos em nosso impacto, mal conseguiremos amedrontar o inimigo. Enquanto não voltarmos às raízes do cristianismo abandonando práticas impostas pelo inimigo nos veremos perdidos no oceano das incertezas e de um evangelho de formas, mas sem qualquer conteúdo. Eu prefiro não ser “gospel” no sentido em que esta palavra é usada hoje, mas sou de JESUS, creio num avivamento da igreja brasileira e sonho com o dia em que o Brasil será usado por Deus para um impacto missionário global. Sonho com vidas transformadas para o mundo e não com vidas conformadas com este mundo; sonho com igrejas impactantes e não com grupos religiosos sendo subservientes ao senhor das trevas, Satanás.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

DEVO SER MUITO CHATO

Devo ser muito chato por não gostar nem de ouvir falar desse pessoal que assume títulos de "profeta" e "apóstolo".
Devo ser muito chato por não aceitar essa coisa de tomar posse, declarar, decretar, rejeitar, determinar, restituir.
Devo ser muito chato por não admitir o G-12 nem pintado de célula ou coisa que o valha.
Devo ser muito chato por ser contra a Teologia da Prosperidade e o Triunfalismo.
Devo ser muito chato por abominar a lei da semeadura financeira.
Devo ser muito chato por ofertar na igreja sem esperar dinheiro em troca.
Devo ser muito chato por não me importar que me chamem de "frio".
Devo ser muito chato por ficar com cara feia quando escuto heresias.
Devo ser muito chato por não ficar emocionado com mais pregações sobre vitória, vitória e vitória "nesta noite".
Devo ser muito chato por me sentir desmotivado de vez em quando.
Devo ser muito chato por não apreciar esse negócio de Igreja com Propósitos.
Devo ser muito chato por não ser fã de pregadores nem cantores.
Devo ser muito chato por entender que certo "missionário" prega um anti-evangelho com sua Confissão Positiva.
Devo ser muito chato por entender que certo "bispo" não é nem cristão.
Devo ser muito chato por acreditar que a igreja não deve lançar políticos com interesse no favorecimento próprio.
Devo ser muito chato por considerar que pastor é dom, e não título de carreira.
Devo ser muito chato por não engolir aquelas "profetadas" genéricas do tipo "Deus tem uma grande obra em sua vida" ou "tem gente aqui com dor na coluna".
Devo ser muito chato por ficar entediado com aqueles cultos enormes que servem para que todo mundo tenha a oportunidade de cantar na frente.
Devo ser muito chato por gostar de interpretar a Bíblia com fé e racionalidade ao mesmo tempo, tudo junto.
Devo ser muito chato por não aceitar que me façam de burro ou de palhaço.
Devo ser muito chato por ficar com a Bíblia, e não com os homens.
Devo ser muito chato por escrever essas coisas para que todo mundo veja.
Devo ser muito chato por anunciar o Evangelho e denunciar o pecado.
Devo ser muito chato por desprezar livros de auto-ajuda disfarçados de evangélicos.
Devo ser muito chato por valorizar o estudo e a leitura, ainda que isso seja cansativo também para mim.
Devo ser muito chato por saber que sou chato e continuar chateado.
Devo ser muito chato por ter convicção de que esse texto chato edificará alguém.
Texto de Alex Esteves da Rocha Sousa, extraído do blog http://www.alexesteves.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ainda sou do tempo

Encontrei este texto em um outro blog e resolvi postá-lo por retratar também o meu pensamento.
Ainda sou do tempo

Texto do Pastor Wagner Antonio de Araújo

Ainda sou do tempo em que ser crente era motivo de críticas e perseguições. Nós não éramos muitos, e geralmente éramos considerados ignorantes, analfabetos, massa de manobra ou gente de segunda categoria. Os colegas da escola nos marginalizavam. Os patrões zombavam de nós. A sociedade criticava um povo que cria num Deus moral, ético, decente, que fazia de seus seguidores pessoas diferentes, amorosas, verdadeiras e puras. Não era fácil. Mas nós sobrevivemos e vencemos. Sinto falta daquela perseguição, pois ela denunciava que a nossa luz era de qualidade, e ofuscava a visão conturbada de quem não era liberto. E, por causa dessa luz, muitos incrédulos foram conduzidos ao arrependimento e à salvação. Mas hoje é diferente. Ainda sou do tempo em que os crentes não tinham imagens em suas casas, em seus carros ou como adereços de seus corpos. Nós não tatuávamos os nossos corpos e nem colocávamos "piercings" em nossa pele. Críamos que os nossos corpos eram sacrifícios ao Senhor, e que não nos era lícito maculá-los com os sinais de um mundo decadente, um deus mundano e uma cultura corrompida. Dizíamos que tatuar o corpo era pecado. Não tínhamos objetos de culto em nossas igrejas. Aliás, esse era um de nossos diferenciais: nós éramos aqueles que não admitiam imagens em lugar algum. Mas hoje é diferente. Ainda sou do tempo em que pornografia era pecado. Nós não considerávamos fotos eróticas ou filmes pornô um "trabalho profissional", mas uma prostituição do próprio corpo e uma corrupção moral. Ao nos convertermos, convertíamos também os nossos olhos, e abandonávamos as revistas pornográficas, os cinemas de prostituição e os teatros corrompidos. Os que eram adúlteros se arrependiam e pagavam o preço do que fizeram, e começavam vida nova. Os promíscuos mudavam seu comportamento e tornavam-se santos em todo o seu procedimento. Nós, os adolescentes, deixávamos os namoros e os relacionamentos orientados pelos filmes mundanos, e primávamos por ser como José do Egito, que foi puro, ou o apóstolo Paulo, que foi decente. Mas hoje é diferente.

Ainda sou do tempo em que nos vestíamos adequadamente para o culto. Aliás, além do nosso testemunho moral, nós nos identificávamos pelas roupas. Se pentecostais, usávamos roupas sociais bastante formais, e éramos conhecidos aonde quer que íamos, pois ninguém mais se vestia tão formalmente assim em pleno domingo à tarde. Se de outras denominações, como eu, não chegávamos a esse extremo, mas nos trajávamos socialmente, com o melhor que tínhamos, dentro de nossas possibilidades, porque críamos que, se íamos prestar um culto a Deus, a ocasião nos exigia o melhor, e buscávamos dar o melhor para Deus. Era a famosa "roupa de culto", "roupa de igreja". Mesmo pobres, tínhamos o melhor para Deus. E sempre algo decente: camisas sociais, calças bem passadas, um sapato melhor conservado, um blaizer ou uma blusa bem alinhada. As mulheres usavam seus melhores vestidos, suas melhores saias e seus conjuntos mais femininos. Mas hoje é diferente.Ainda sou do tempo em que nossos hinos falavam de Cristo e da salvação. Cantávamos muito, e nossas músicas não eram tão complexas como as de hoje. Mas todos acabávamos por decorá-las. Suas mensagens eram simples e evangelísticas: "foi na cruz, foi na cruz", "andam procurando a razão de viver"; "Porque Ele vive, posso crer no amanhã", "Feliz serás, jamais verás tua vida em pranto se findar", "O Senhor da ceifa está chamando"; "Jesus, Senhor, me achego a ti", "Santo Espírito, enche a minha vida", "Foi Cristo quem me salvou, quebrou as cadeias e me libertou", etc. Não copiávamos os "hits" estrangeiros, ou as danças mundanas, mas buscávamos algo clássico, alegre, porém, solene. E dançar o louvor? Jamais! Não ousávamos, nem queríamos; nunca soubéramos que o louvor era "dançante"; as danças deixamos em nossas velhas vidas mundanas. Porém, mesmo não as tendo, éramos alegres e motivados. Mas hoje é diferente.

Ainda sou do tempo em que as denominações e igrejas tinham personalidade. As denominações eram poucas e bastante homogêneas. Sabíamos que a Assembléia de Deus era pentecostal e usava indumentária formal; os presbiterianos eram os melhores coristas que existiam; os adventistas tinham uma fé estranha, numa profetiza semi-contemporânea, mas tinham os melhores quartetos masculinos; os melhores solistas eram batistas, etc. Nossas liturgias eram bastante diferentes: os conservadores eram formais, seus cultos silenciosos, enquanto um orava, os outros diziam amém. Já os pentecostais oravam todos ao mesmo tempo e cantavam a Harpa Cristã. Nós nos considerávamos irmãos, não há dúvida. Mas tínhamos personalidade. Hoje tudo é diferente. E eu não sou velho! Isso tudo não tem 26 anos ainda! Na década de 80 ser crente era ser assim! Meu Deus, como o mundo mudou! Como a chamada Igreja Evangélica se deteriorou! Hoje eu sinto vergonha de ser considerado evangélico!Hoje é moda ser crente, ou melhor, "gospel". Você é artista pornô, mas é crente. Você é do forró pé-de-serra, mas é crente. Você é ladrão, mas é crente. Você é homossexual assumido, mas é crente. Não importa a profissão, o comportamento, a moral, a índole, ser crente é apenas um detalhe. Aliás, dá cartaz ser crente: hoje muitos cantores "viram crentes" pra vender seus cds encalhados, pois o "povo de Deus" compra qualquer coisa. Não há diferença entre o santo e o profano, o consagrado e o amaldiçoado, o lícito e o proibido, o justo e o injusto. Qualquer coisa serve. O púlpito pode ser uma prancha de surf, uma cama de motel ou um palanque eleitoral; a forma não importa. Ser crente é apenas um detalhe, uma simples nomenclatura religiosa. Hoje os crentes tatuam as suas peles, mesmo sabendo que a Bíblia condena o uso de símbolos e marcas no corpo de quem se consagra a Deus. Criamos nossos próprios símbolos, nossos próprios estigmas e nossas próprias tribos. Hoje há denominações que dão opções de símbolos para que seus jovens se tatuem. O "piercing" deixou de ser pecado, e passou a ser "fashion", e está pendurado na pele flácida de roqueiros evangélicos e "levitas" das igrejas, maculando a pureza de um corpo dedicado ao Deus libertador. Mulheres há que enchem seus umbigos e outras partes de pequenas ferragens, repletas de vaidade e erotismo mundano, destruindo, assim, qualquer padrão cristão de consagração corporal. Meninos tingem seus cabelos de laranja, e mocinhas destróem seus rostos com produtos, pois agora todo mundo faz, e "Deus não olha a aparência". (Ainda bem, pois se olhasse, teria ânsia de vômito...)

Hoje ir à igreja é como ir ao mercado ou às barracas de feira e de artesanato: um evento efêmero, informal, meramente turístico. Não há mais cuidado algum no trajo cultuante. Rapazes vão de bermudas, calções (e, pasmem os senhores, de sungas!), até sem camisa, porque Deus não é "bitolado, babaca ou retrógrado". Garotas usam suas minissaias dos "rebeldes" e exibem umbigos cheios de "piercings", estrelinhas e purpurinas pingando dos cabelos e roupas, numa passarela contínua do modismo eclesiástico. Se alguém ainda vai modestamente ao culto, seja jovem, seja velho, ou é "novo convertido", ou é "beato". É típico encontrarmos pastores dizendo aos "engravatados": "pra que isso, irmão? Vai fazer exame laboratorial?" E, continuamente, vão demolindo qualquer alicerce de reverência e solenidade para o ato do culto.

Hoje as nossas músicas pouco falam de Cristo. Somos bitolados por um amontoado de "glórias", "aleluias", "no trono", "te exaltamos", "o teu poder", etc. Misturamos essas expressões, colocamos uma pitada de emoções, imitamos os ícones dos megaeventos de louvores, e gravamos o nosso próprio cd, que, de diferente, tem a capa e o timbre de algumas vozes, talvez alguns instrumentos, mas, no mais, não passam de cópias das cópias das cópias. E Jesus? Ah, quase nunca o mencionamos, e, quando o fazemos, não apresentamos qualquer noção do que Ele é ou representa para o nosso louvor. Não falamos mais que Ele é o caminho, a verdade e a vida, não o apresentamos como Senhor e Salvador, não informamos ao ouvinte o que se deve fazer para tê-lo no coração, apenas citamos seu nome ou dizemos um aleluia para ele. Hoje, entrar em uma igreja é como ter entrado em todas: é tudo igual. O mesmo sistema, as mesmas cantorias, a seqüência de eventos, os rituais emocionais, as pregações da prosperidade, de libertação de maldições ou de megassonhos "de Deus" (como se Deus precisasse sonhar, como se fosse impotente ou dependente da vontade humana). Transformamos nossas igrejas em filiais de uma matriz que não sabemos nem aonde fica, mas que se representa nas comunidades da moda. Não há mais corais, não há mais solistas, não há mais escolas dominicais fortes, não há mais denominações com características sólidas, não há mais nada. Tudo é a mesma coisa: uma hora e meia de "louvor", meia hora de "ofertas" e quinze minutos de "pregação", ou meia hora de "palavra profética e apostólica". Que desgraça!

Hoje trouxemos os ídolos de volta aos templos: são castiçais, bandeiras de Israel, candelabros, reproduções de peças do tabernáculo do velho testamento, bugigangas e quinquilharias que vendemos, similares aos escapulários católicos que tanto criticávamos. Hoje não nos atemos a uma cruz sem Cristo, simbólica apenas. Hoje temos anjinhos, Moisés abrindo o Mar Vermelho, Cristo no sermão da Montanha. O que nos falta ainda?Nossas Bíblias, para serem boas, têm que ser do "Pastor fulano", com dicas de moda, culinária, negócios e guia turístico. Hoje temos Bíblias para mulheres, para homens, para crianças, para jovens, para velhos, só falta inventarmos a bíblia gay, a bíblia erótica, a bíblia do ladrão, a bíblia do desviado. Bíblias puras não prestam mais. E, mesmo tendo essas bíblias direcionadas, QUASE NINGUÉM AS LÊ! Trazemos rosas para consagrar, rosas murchas para abençoar e virar incenso em casa, sal grosso para purificar, arruda para encantar, folhas de oliveira de Israel e água do Rio Jordão (Tietê?) para abençoar, vara de Arão, de Moisés, e sabe lá de quem mais! Voltamos às origens idólatras! Parece o povo de Israel, que, ao morrer um rei justo, emporcalhavam o país com suas idolatrias e prostitutas cultuais. E se alguém ousa ser autêntico, é taxado de retrógrado. Com isso, surgem os terríveis fundamentalistas, que abominam tudo, ou os neopentecostais, que são capazes de transformar a igreja num circo, fazendo o povo rir sem parar ou grunir como animais.

Meu Deus, o que será daqui há alguns anos? Será que teremos que inventar um nome novo para ser evangélico à moda antiga? Parece que batista, assembleiano, presbiteriano, luterano ou metodista não define muita coisa mais! Será que ainda haverá púlpitos que prestem, pastores que pastoreiem, louvores que louvem a Deus? Será que seremos obrigados a usar "piercing" para nos filiarmos a alguma igreja? Será que nossos cultos serão naturistas? Será que ainda haverá Deus em nosso sistema religioso? É CLARO QUE HÁ EXCEÇÕES! E eu bendigo a Deus porque tenho lutado para ser uma dessas exceções. É claro que o meu querido leitor, pastor, louvador, membro de igreja, missionário, também tem buscado ser exceção. Mas eu não podia deixar de denunciar essa bagunça toda, esse frenesi maligno, esse fogo estranho no altar de Deus! Quando vejo colegas cuspindo no povo, para abençoá-los, quando vejo pastores dizendo ao Espírito Santo "pega! pega! pega!", como se fosse um cachorrinho, quando vejo pastores arrancando miúdos de boi da barriga dos incautos doentes que a eles se submetem, quando vejo um evangelho podre arrastando milhões, quando vejo colegas cobrando dez mil reais mais o hotel, ou metade da oferta da noite, para pregar o evangelho, então eu me humilho diante de Deus, e digo: "Senhor, me proteje, não me deixa ser assim!"

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Os pioneiros - Samuel Nystrom - parte 1



Prezados blogueiros,

Acabei de ouvir uma mensagem ministrada pelo Missionário Samuel Nystrom, gravada no cd "Memória das Assembléias de Deus" e senti o desejo de transcrever algumas informações sobre os pioneiros da nossa denominação.

Aproveitando o ímpeto da mensagem que ouvi, iniciarei pelo missionário Samuel Nystrom, muito embora, como todos sabem, não tenha sido ele o primeiro a pisar em terras brasileiras.

Samuel Nystrom (1891-1960), missionário sueco, evangelista, pastor, ensinador, escritor, pioneiro das Assembléias de Deus de Belém, Amazonas, Acre, São Paulo e Rio de Janeiro, antigo líder nacional das Assembléias de Deus no Brasil. Nasceu na Suécia em 09 de outubro de 1891, em Arsta, na cidade de Osterhaninge. Seus pais eram batistas e ele aceitou a Jesus aos 14 anos. Ao ouvir Daniel Berg falando sobre o trabalhho missionário no Brasil, durante uma pregação na Igreja Filadélfia, sentiu a chamada missionária para trabalhar no Brasil.

Em 5 de junho de 1916, na Igreja Filadélfia de Estocolmo, Samuel e Lina (sua esposa) foram separados para o trabalho missionário no Brasil. Nesse mesmo dia, também se realizou o casamento deles.

Após a cerimônia de casamento e a festa, embarcaram para Belém (PA), via Nova Iorque. Chegaram no dia 18 de agosto de 1916, encontrando cerca de 70 crentes no Estado e duzentos em todo o Brasil. Eram jovens: Samuel, com 25 anos, e Lina, com 29 anos.

Durante os 30 anos de atividades no Brasil, trabalhou como um verdadeiro apóstolo, ajudando a lançar e consolidar os fundamentos doutrinários das Assembléias de Deus no Brasil. Exercia grande liderança espiritual e eclsiástica entre os missionários e pastores nacionais.

Talvez o leitor estaja se perguntando: qual a relação entre Samuel Nystrom e a Escola Bíblica Dominical, assunto principal deste blog? Ora, a relação é bastante estreita. O missionário Samuel Nystrom faz parte da história da Escola Bíblica Dominical no Brasil, especialmente na Assembléia de Deus.

As primeiras lições da Escola Bíblica Dominical foram escritas por Samuel Nystrom e impressas no jornal Boa Semente (primeiro jornal oficial das Assembléias de Deus no Brasil). O jornal foi fundado em dezembro de 1918 e circulou até o ano de 1930, quando, em fusão como o jornal o Som Alegre, eram origem ao Mensageiro da Paz.

Voltando à mensagem que ouvi, algo me chamou a atenção. Como nossos pioneiros eram apaixonados por almas. Como suas mensagens eram simples e cristocêntricas. Eles pregavam a Cristo e este crucificado. Queriam apenas levar os ouvintes ao arrependimento, à confissão dos pecados, à restauração, justificação, regeneração e santificação. Eles não queriam os olofotes, a fama, as "ofertas", os hotéis de luxo (até porque acho que nem existiam), os carrões importados, as mansões, etc. Eles queriam almas! Eles queriam o crescimento da igreja não para sugar a gordura das ovelhas, mas para arrebatarem as almas do inferno.

Confesso que estou cansado destes novos "pregadores". Estes mesmos que cobram fortunas e fazem uma lista imensa de reinvidicações para pregar nas igrejas. E o resultado? Quase sempre ninguém se converte porque eles não fazem mais apelos aos pecadores. Preferem chamar o povão para frente do púlpito e colocar um cantor para cantar. Isso dá mais "ibope". Deus manifesta o seu "poder". Até quando?

A recomendação de Paulo em 2Co 11.3 é bastante válida para os nossos dias: " Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo."

Não nos apartemos da simplicidade que há em Cristo, mas, como os nossos pioneiros, e nesta postagem deixo o exemplo de Samuel Nystrom, possamos viver e pregar este Evangelho simples e poderoso.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

ESTOU DE VOLTA!

Prezados blogueiros, estou de volta!

Após a criação deste blog e de apenas duas postagens, ausentei-me, por diversos motivos.

O primeiro semestre deste ano foi bastante "puxado". Aulas e mais aulas, fórum, construção, além das inúmeras atividades na igreja que, a despeito do cansaço físico são um refrigério.

Não existe nada melhor do que cumprir o ministério que recebemos de Deus. Quando utilizamos os dons e os talentos que Deus nos deu com a convicção de que estamos fazendo aquilo que o Senhor colocou em nossas mãos para fazer, sentimo-nos realizados.

Aproveitei o meu retorno para mudar a "cara" do blog. Acredito que ficou bem melhor do que o layout anterior.

Espero postar pelo menos uma vez por semana, mas não prometo. Aqueles que me conhecem mais de perto sabem que minha vida é um pouco corrida.

Recomendo a todos os blogs da minha lista de favoritos.

E não esqueçam de responder a enquete.

Um grande abraço a todos!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A Casa Cheia da Glória (parte I - União)

Prezados amigos, estou lendo o capítulo oito do primeiro livro dos Reis e gostaria de meditar com os amados acerca da manifestação da Glória de Deus, no templo de Salomão. Pretendemos analisar os pré-requisitos para a manifestação da Glória do Senhor.

A Bíblia diz que Salomão congregou os anciãos de Israel, e todos os cabeças das tribos e os chefes das casas paternas. Notemos que o sucessor de Davi congregou (reunião) a liderança em torno de si. Anciãos de Israel, cabeças das tribos e chefes das casas paternas representavam a liderança espiritual da época.

Somente haverá manifestação autêntica de Deus se houver união entre o povo de Deus, entre a Igreja do Senhor. Tal união deverá iniciar, obviamente, pela liderança. Por aqueles que são (ou pelo menos deveriam ser) o exemplo.

Estamos vivenciando em nossos cultos uma autêntica manifestação da Glória de Deus? O primeiro passo para que isto acontença é, sem dúvida, a união entre o povo de Deus, a começar pela liderança. A disputa por cargos, as fofocas, calúnias, difamações, injúrias, perseguições no seio da liderança da Igreja está chegando às narinas de Deus como cheiro de esterco. A consequência disso? A Glória da presença de Deus cada vez mais distantes de nossos cultos. Qual a última vez que você viu alguém ser usado com o dom de variedade de línguas e uma outra pessoa, simultaneamente, ser usada com o dom de interpretação de línguas? Qual a última vez que você viu um pecador aceitar a Cristo com lágrimas nos olhos e, no mesmo momento, ser batizado com o Espírito Santo? Qual a última vez que você viu a "água pegar fogo", ou seja, um crente ser batizado em águas e, ao mesmo tempo, receber o batismo com o Espirito Santo?

Prezados irmãos precisamos, urgentemente, retornar às raízes. Precisamos trazer de volta a Glória de Deus para as nossas vidas, nossas famílias, nossos cultos, nossas igrejas. Como? Seguindo a orientação deixado pelo Apóstolo dos Gentios: "Rogo-vos, porém irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentido e no mesmo parecer"(1Co 1.10).

A união atrai a Glória de Deus!

Em breve, a segunda parte desta reflexão.

Um abraço!

quarta-feira, 2 de maio de 2007

A Exata Conceituação de "Escola Dominical"

A Escola Dominical é a escola de ensino bíblico da Igreja, que evangeliza enquanto ensina, conjugando assim os dois lados da comissão de Jesus à Igreja, conforme Mateus 28.20 e Marcos 16.15. Ela não é uma parte da Igreja; (1) é a própria Igreja ministrando ensino bíblico metódico. A Escola Dominical (2) é um ministério pessoal para alcançar crianças, jovens, adultos, a família, a comunidade inteira, tal como fazia a Igreja dos dias apostólicos; (3)É ela a única escola de educação religiosa popular que a Igreja dispõe; (4) A Escola Dominical devidamente funcionando, é o povo do Senhor, no dia do Senhor, estudando a Palavra do Senhor, na casa do Senhor.
Texto extraído de Manual da Escola Dominical, Antônio Gilberto da Silva, editora CPAD, pág125.